O Três Banqueiros, o PT e a Crise Econômica Brasileira

BanqueirosA crise econômica brasileira se agrava em 2014 [1], com o país atravessando uma nova recessão, especialmente a atividade industrial. Os trabalhadores veem seus salários comidos pela inflação, seus empregos em risco com os lay-offs e as demissões, e suas conquistas ameaçadas pelo ajuste fiscal que se avizinha e por novas “reformas”. As ruas têm tudo para fervilhar em 2015…

Com esse cenário desenhado, Lula, Dilma e o PT viram sua condição de melhores gestores do aparelho de estado capitalista no Brasil ameaçada nas últimas eleições, realizadas nesse ambiente de recessão em agravamento, além da revelação de mais um multibilionário esgoto petista, desta vez na Petrobrás [2]. Diferentemente das outras três eleições ganhas pelo PT, desta vez houve ampliação das alianças opositoras ao governo, reforçando posições à direita (especialmente nos novos parlamentares eleitos ao Congresso Nacional), e a eleição presidencial terminou com estreita margem de 3,3%, a menor dentre as vencidas pelo PT [3].

Ganhas as eleições, a presidente reeleita não tardou para sinalizar a disposição de cumprir integralmente seus principais compromissos assumidos com seus mais importantes eleitores: as grandes empresas que financiaram sua milionária campanha de (declarados) R$ 350 milhões [4]. Já na noite seguinte à votação, Dilma bateu ponto no Jornal Nacional da Rede Globo para explicitar esses eleitores:

“Externei ontem [domingo, 26] que não ia esperar a conclusão do primeiro mandato para iniciar todas as ações no sentido de transformar e melhorar o crescimento da nossa economia. Eu vou abrir o diálogo com todos os segmentos. Quero dialogar com setores empresariais, financeiro, com o mercado, para discutir quais são os caminhos do Brasil. Pretendo colocar de forma muito clara as medidas que vou tomar”. (negritos nossos).

Como isso ainda era pouco, na entrevista concedida aos principais jornais da imprensa burguesa em 6 de novembro, Dilma foi ainda mais explícita quanto às próximas medidas a serem implementadas:

Nós vamos ter de fazer nosso dever de casa. Nós vamos ter de fazer aqui:apertar o controle da inflação, vamos ter limites dados pela nossa restrição fiscal para fazer toda uma política anticíclica que poderia ser necessária agora, mas vão ter limites”. (negritos nossos).

Meras declarações da presidente, no entanto, não bastavam. Os patrões, insaciáveis, exigiam a comprovação do prometido, mediante imediata apresentação de programa e medidas do novo mandato, bem como da equipe a implementá-las [5]. Lula então decidiu que acabara a hora dos amadores, era preciso ceder a vez, novamente, aos profissionais. Iniciou-se a montagem da equipe econômica do segundo mandato de Dilma, definição que estava no centro das demandas das classes dominantes nacionais. Começou uma verdadeira caçada de Lula e Dilma aos banqueiros.

1o Banqueiro: Volta, Meirelles!

Tão logo apuradas as urnas, começaram a surgir os primeiros nomes de ministeriáveis da nova equipe econômica de Dilma. Lula coloca como sua primeira opção, destinada a assegurar a “confiança” (palavra politicamente correta para submissão) do mercado financeiro, seu banqueiro predileto, ex-presidente mundial do BankBoston, eleito deputado federal em 2002 pelo PDSB de Goiás, e Presidente do Banco Central durante seus oito anos: Henrique Meirelles (ver aqui e aqui).

Tudo indica que a indicação de Lula foi para valer, podendo, no entanto, ter sido também um balão de ensaio para testar a resistência (do governo? Do PT? Dos “movimentos sociais” ligados ao PT ou do sindicalismo pelego?) à perspectiva de colocar um banqueiro no principal cargo do novo governo.

As reações foram tímidas. Um artigo do André Singer, na Folha de São Paulo; editoriais na Carta Capital [6]; um mínimo burburinho nas bases petistas; e quase nada mais que isso. A porteira estava aberta.

O goiano Meirelles, confortavelmente instalado na presidência do conselho consultivo da J&F – holding que controla o JBS, que nasceu frigorífico e hoje é, na verdade, uma empresa monopolista transnacional, com tentáculos em mais de uma dezena de países, e faturamento estimado em R$ 65 bilhões anuais; além de diversas outras empresas, incluindo um banco, e que foi o principal financiador das campanhas eleitorais de 2014 – por lá mesmo ficou.

2o Banqueiro: Chega de Intermediários, Presidente do Bradesco para Ministro da Fazenda!

Pacificada a “resistência” e aceita a premissa de ter um banqueiro no posto de comando da economia brasileira, a verdadeira cartada Lula-Dilma veio então a público. Em reunião no dia 18 de novembro, na Granja do Torto, Lula e Dilma concordaram com a nova carta no baralho da sucessão ministerial: Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco.

Nessa altura, o “ajuste” econômico já havia sido iniciado, com o primeiro aumento de juros pelo Banco Central, enquanto a (velha) equipe da Fazenda, de Guido Mantega, se desincumbia da encomenda de preparar um novo (e duro) pacote fiscal.

Nada mais natural, do ponto de vista dos gestores do aparelho de estado capitalista! Se era necessário recuperar a “confiança” dos empresários, dar satisfação às agências de rating do capital financeiro internacional, indicar claramente o caminho da economia a partir de 2015, nada melhor que instalar de vez o principal representante [7] do capital financeiro nacional no simbólico cargo de Ministro da Fazenda.

No mesmo dia da reunião com Lula (quando se trata de vassalagem, é melhor não perder tempo…), Dilma foi ao presidente do Conselho de Administração e patriarca do Bradesco, o octogenário Lázaro Brandão, pedir a mão, quer dizer, sua licença para a nomeação do seu funcionário Trabuco (ver aqui e aqui).

O discurso petista já estava pronto para recepcionar euforicamente o banqueiro. Definitivamente incorporado ao anedotário político nacional, como prova adicional do contorcionismo servil petista, está a justificativa do Presidente do PT, Rui Falcão: “Ele não é banqueiro, é bancário, funcionário” [8]. Com a palavra a categoria dos bancários no Brasil inteiro, que sofre com a exploração do Bradesco de Brandão e Trabuco (bem como dos outros bancos) e luta contra essa exploração!

Satisfeito com essa demonstração explícita de vassalagem e subserviência, e tendo claramente demonstrado quem é que manda, Brandão recusou. Disse que Trabuco seria seu sucessor (em 2017!) e que o Bradesco era mais importante. E pronto.

Mais ainda restava um último ato dessa busca incansável do PT por um banqueiro para chamar de seu.

3º Banqueiro: Brandão e Trabuco Nomeiam Levy

Tal qual o pastor de Camões, Labão, que sabedor do desejo de Jacó por Raquel lhe deu Lia, garantindo deste mais sete anos de serviço, Lázaro Brandão não se contentou em não ceder Trabuco. Ele ainda determinou qual funcionário do Bradesco seria cedido ao governo para ocupar o Ministério da Fazenda. A escolha de Brandão e Trabuco recaiu sobre Joaquim Levy, então Diretor-Superintendente do Bradesco Asset Management, salário anual de R$ 1 milhão, podendo chegar a R$ 3 milhões com os “bônus” [9].

Nesse momento, as primeiras medidas do futuro pacote fiscal já começavam a aparecer: “corte de despesas com seguro-desemprego, pensões por morte e abono salarial”. Dilma, no entanto, teve que adiá-las, pois o novo ministro as considerou “insuficientes”, e “decidiu que vai ‘encorpar’ o pacote”, com “corte de despesas” e “bloqueio ‘significativo’ de gastos no Orçamento”.

Levy transmutou-se, então, em unanimidade, tanto para a imprensa burguesa quanto para governistas em geral. Era o homem certo, no lugar certo. Quiçá um salvador da pátria. De repente, parecia que a Universidade de Chicago, onde concluiu seu doutorado, não era mais o templo das “expectativas racionais” e do liberalismo puro e duro. O FMI, onde trabalhou quase uma década, de fazedor de “ajustes” recessivos nos países dominados, passou a parecer uma entidade neutra, onde se adquire experiência “técnica”. Ter sido aluno de Armínio Fraga, e permanecer seu colaborador até hoje a ponto de ter dado sugestões à campanha de Aécio, então, sumiu das lembranças. Ser sócio-fundador de instituto de pensamento “liberal” paulista [10] foi prontamente esquecido. O próprio PT também “esqueceu” o apelido que colocou quando ele foi o Secretário do Tesouro Nacional no primeiro mandato de Lula: “Joaquim Mãos de Tesoura”.

Numa emulação pusilânime, os parlamentares petistas puseram-se a enaltecer o seu banqueiro. Para o líder do PT, Humberto Costa, Levy “será o guardião do modelo de desenvolvimento”. Para superar o colega, o petista Jorge Viana teve que ir além: “O Joaquim Levy é mais completo: não é banqueiro, é do mundo da economia e tem contato com a vida real” [11].

E o que dizer quando as semelhanças entre a revista semanal das Organizações Globo e a revista de um site petista são tantas que elas até mesmo convergem para a mesma capa? Revista Brasil 247: “Deixem Joaquim Levy Trabalhar”. Época: “Deixem o Homem Trabalhar”.

E o futuro Ministro Levy não decepcionou seus patrões (os do Bradesco, é claro). Já no seu primeiro discurso como ministro indicado, em 27 de novembro (no qual não agradeceu à indicação da Presidente), já disse a que veio, aumentando as metas do superávit primário em R$60 bilhões por ano até 2017, como “objetivo imediato do governo”. Outros objetivos sãoaumentar a nossa produtividade”, a “concorrência, o empreendedorismo e a inovação”, a “efetivação de uma ‘agenda micro’”, ampliar “as concessões de infraestrutura”, e “o mercado de capitais”.

Se essas medidas já foram anunciadas antes mesmo da posse, não é preciso grande esforço para imaginar o que virá depois, em 2015.

2015: Ano de Crise Econômica e de Lutas da Classe Operária!

O ‘debate’ eleitoral passou ao largo das verdadeiras medidas econômicas e sociais que estão em discussão e deverão ser tomadas pelo governo a partir de 2015, seja ele qual for. Na verdade, não se discute se haverá ou não um ajuste recessivo, anti-trabalhador, mas ‘apenas’ como este ‘ajuste’ será operacionalizado, concretizado. … Além disso, a convergência entre o programa dos dois candidatos pode chegar inclusive ao detalhamento das medidas de ‘ajuste’” (negritos nossos).

Quando escrevemos o texto acima, em 24 de outubro, o que não sabíamos era que a mencionada convergência incluía a nomeação de um banqueiro, aliado de Armínio Fraga, para o Ministério. Mas não podemos dizer que tenha sido uma surpresa… Ao contrário, já naquele momento denunciamos o posicionamento daqueles que insistiam na defesa de posições como a de que o governo Dilma estava em “disputa” ou que seria “progressista”, “popular”, “de esquerda” ou como as ilusões reformistas queiram chamar. Criticávamos aquelas posturas, pois tínhamos absolutamente claro que elas contribuíam (e contribuem ainda) para confundir e paralisar a classe operária e as demais classes dominadas, ajudando os seus exploradores.

Variações dessas posições reformistas surgiram, entre outros, em dois manifestos divulgados no mês de novembro, contrários às anunciadas definições de política econômica para o segundo mandato de Dilma. “Economistas pelo desenvolvimento e pela inclusão social”, do início do mês, e “Em Defesa do Programa Vitorioso nas Urnas”, do final. Em comum, esses manifestos idealizam a passada campanha eleitoral, colocando a candidatura vitoriosa como fruto da mobilização de “partidos e movimentos sociais favoráveis à participação popular nas decisões políticas, à soberania nacional e ao desenvolvimento econômico com redistribuição de renda e inclusão social”. Atribuir a isso qualquer papel significativo na campanha é fruto de imaginação delirante, de desejos dos seus autores, sem ter qualquer similitude com a realidade concreta que todos nós vivemos.

Ao caracterizar a posição perdedora das últimas eleições – “o jogral dos porta-vozes do mercado financeiro” – o que descrevem é, sem tirar nem por, os anúncios do novo governo Dilma: “austeridade fiscal e monetária, exigindo juros mais altos e maior destinação de impostos para o pagamento da dívida pública” e o “mergulho na recessão para facilitar o corte de salários, gastos sociais e direitos adquiridos”. A forçosa conclusão, que seus compromissos ideológicos com o reformismo não permitem chegar, é que o governo Dilma será indistinto de um imaginário governo Aécio. QED: como queríamos demonstrar [12].

E a própria Dilma não se cansa de provar isso, repetidamente. Apenas para citarmos a última ocasião, no começo de dezembro, temos, nada mais nada menos, que a carta enviada ao Brazil Opportunities Conference, evento promovido – surpresa! – pelo banco JP Morgan, nas lides do imperialismo desde a época de Lênin. Na carta, Dilma define como “nossa prioridade” o “controle rigoroso da inflação e o fortalecimento das contas públicas” para recuperar o crescimento. Afirma que buscará “elevação gradual, mas estrutural, do resultado primário”, com “iniciativas” como “reformas do lado fiscal” e “maior desenvolvimento financeiro … com aumento da participação de fontes privadas”, ou seja, dos bancos… E conclui: em “2015 e além, contamos com a participação do mercado”!

O que essa “esquerda governista” (sic!) não consegue entender é que a crise econômica brasileira atual deriva dos rearranjos da economia mundial à crise do imperialismo e seus impactos no Brasil, no lugar que o Brasil ocupa na divisão internacional do trabalho. E de como as contradições internas do modo de produção capitalista no Brasil o tornam capaz (ou incapaz) de reagir a essas novas condições.

Mais concretamente, as tendências da economia mundial que impulsionaram modificações na estrutura produtiva brasileira nas últimas décadas, mudanças que ocorreram nos limites das contradições internas, e que possibilitaram um curto surto de crescimento durante um quinquênio do governo Lula (2005-2010), estão esgotadas ou, ao menos, significativamente debilitadas. Para começar, a China, que na década de 2000 surgiu como principal parceira comercial do Brasil, não mais cresce a 10% ou mais anualmente, sua média desde os anos 1980, mas deverá passar em breve para menos de 7%. Esse crescimento mais baixo é acompanhado/causado por modificações na sua demanda interna que tendem a minimizar seu apetite pela importação de commodities básicas, 90% das exportações brasileiras para lá.

Em função disso, como também fruto da estagnação/recessão europeia, os preços internacionais de commodities estão em forte e generalizada queda, em condições de superprodução, que em alguns casos supera 30% (minério de ferro). O chamado “superciclo” de commodities, iniciado no final dos anos 1990, está encerrado.

O fator que ainda se mantém, a abundante liquidez de capital-dinheiro (ou fictício) a juros zero nos mercados financeiros internacionais, já está com seus dias contados. Em outubro, o banco central dos EUA encerrou suas compras de títulos e, em 2015, deve começar a subir os juros. A situação original, no entanto, ainda vai perdurar por mais um período razoavelmente grande, tanto na Europa quanto no Japão.

Por outro lado, desde o agravamento da crise do imperialismo em 2007-08, a reação do capital na ampla maioria dos países tem levado a rebaixamento das condições de reprodução da classe operária (redução dos salários e das conquistas trabalhistas, deterioração das condições de trabalho), que se traduzem em ganhos de produtividade e em aumento da competitividade nos mercados internacionais. Buscamos analisar esses itens em mais detalhe no artigo “A Crise do Imperialismo ‘Globaliza’ o Acirramento da Luta de Classes”, de 5 de janeiro deste ano, e na série de postagens denominada “Teses Sobre a Conjuntura Nacional”, iniciada em 24 de novembro, com o texto “Brasil: Crise e Regressão (Parte 1)”.

O governo Dilma e do PT não foram capazes de compreender as causas da crise econômica que assola o país neste seu primeiro mandato e que se prolongará pelo segundo. Dominados pela ideologia reformista do (nacional-, social-, neo-, ou como queiramos chamar) desenvolvimentismo, insistiu na ficção pela qual se pode ampliar indefinidamente os lucros (juros reais negativos; desonerações; privatizações, perdão, concessões; etc.) via expansão da dívida pública (capital fictício), mantendo os salários e as demais condições de trabalho com o mínimo de deterioração. Nessa fábula, o Estado seria o árbitro da luta de classes, o definidor das condições de reprodução do capital e o repartidor da mais-valia. De te fabula narratur!

Mas a realidade se impõe e a ilusão se desmanchou no ar. O governo petista, gestor do aparelho de estado capitalista, assume plenamente o caráter de classe do Estado, aparelho a serviço das classes dominantes. Se isso já vinha desde o primeiro mandato – ver nossas publicações sobre o “Comitê Central da Burguesia[13] – se aprofunda ainda mais nessa preparação para o segundo, como indicamos acima.

A classe operária e o conjunto das classes dominadas já sofrem a crise nesses últimos anos, expressa concretamente nas suas vidas e lutas cotidianas em diversas formas: na diminuição gradual das novas oportunidades de trabalho, ano a ano, chegando a 30 mil demissões em termos líquidos só no último mês de outubro, nos cortes daquelas vagas de maior qualificação/salário (ver aqui e aqui), nas demissões crescentes na indústria. As “reformas trabalhistas”, por sua vez, já estão a pleno vapor, com a adoção indiscriminada dos layoffs na indústria, principalmente no setor automobilístico, já atingindo mais de dez mil operários. O conluio dos sindicatos patronais, dos pelegos e do governo é para ampliar ainda mais as possibilidades de flexibilização das condições de trabalho, de “afastamento temporário”, pré-demissão.

Em suma, a classe operária, todos os trabalhadores, e o conjunto das classes dominadas, não podemos nos iludir e acreditar nas falsas bandeiras petistas e na falsa polarização eleitoral a cada quatro anos. A única saída possível para a classe operária, para todas as classes dominadas, é a sua luta e sua organização independente – o que no Brasil atual significa a reorganização do Partido Comunista – para fazer frente às classes dominantes na luta de classes. Neste ano em que comemoramos os 150 anos da fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores, a 1ª Internacional, a classe operária deve escutar a palavra dos nossos antecessores:

Em todos os lugares, a experiência mostrou que a melhor maneira de emancipar os trabalhadores dessa dominação dos velhos partidos é formar, em cada país, um partido proletário com uma política própria, manifestamente distinta daquela dos outros partidos, porquanto tem de expressar as condições necessárias para a emancipação da classe trabalhadora. Essa política pode variar em detalhes, de acordo com as circunstâncias específicas de cada país; mas enquanto as relações fundamentais entre o trabalho e o capital forem as mesmas em toda a parte, e a dominação política das classes possuidoras sobre as classes exploradas for um fator universalmente existente, os princípios e objetivos da política proletária serão idênticos” (negritos nossos). Friedrich Engels. Sobre a Importância da Luta Política [14].

[1] Propomos uma análise da crise econômica brasileira atual e de suas causas mais profundas em uma série de postagens com o título geral de “Teses Sobre a Conjuntura Nacional”. A primeira postagem, “Brasil: Crise e Regressão (Parte 1)” já foi publicada em 24 de novembro.

[2] Que analisamos no texto “Agora… A Crise do Governo Dilma, ou Governando com o Esgoto a Céu Aberto II”, de 20.11.2014.

[3] Ver nossos textos “Notas sobre a conjuntura da luta de classes e as eleições de 2014”, de 8.09.2014 e “Dilma ou Aécio? Direito de resposta a uma falsa questão. Ou: organizar as lutas da classe operária e dos trabalhadores”, de 24.10.2014.

[4] Conforme publicado aqui.

[5] Esse fato está bem claro no artigo “Sinais Trocados”, do André Singer, na Folha de São Paulo, de 01.11.2014. Nele, o ingênuo petista, cientista político que ainda acredita nas promessas de campanha (ao invés de fazer a correta análise de classes e a análise concreta da situação concreta), informa o real programa de Dilma, apenas para concluir, perplexo:

Encerrada a contenda, no entanto, começaram a proliferar informações contraditórias a respeito das escolhas cruciais a serem feitas pela ex-jovem heroína. A primeira veio à tonamenos de 24 horas após contados os votos. Dilma estaria em busca de um nome de mercado para ministro da Fazenda. Mas se era para entregar a política econômica aos banqueiros como justificar os ataques a Marina e Aécio?

No dia seguinte coube ao próprio BC protagonizar mais uma emissão atravessada de sinais. Para surpresa do próprio mercado, a diretoria decidiu aumentar os juros. Mas não era isso que se queria evitar? Dilma havia dito que o PSDB plantava ‘dificuldades para colher juros’. E agora?

Por fim, surge a informação de que o governo prepara um pacote com redução de gastos públicos para a semana que vem. Na campanha, Dilma disse que os tucanos só sabiam cortar, e que ela faria diferente” (ver aqui).

 

[6] André Singer, “Escolha de Sofia”, Folha de São Paulo, 15.11.2014. Mino Carta, “A Paz Esteja Convosco”, e Luiz Gonzaga Belluzzo “Promotores de Desastres”, ambos na Carta Capital de 19.11.2014. Enquanto Singer é mais geral, os outros dois “fulanizam”: “por favor, nada de Meirelles”, afirma Carta. Armínio Fraga e Meirelles são “duplos”, segundo Belluzzo.

[7] A rigor, essa posição é arduamente disputada, há décadas, por Bradesco e Itaú, em processos de centralização de capital que já se expressam em dezenas de fusões e aquisições de cada lado. Desde a compra do Unibanco, após a crise de 2009, o Itaú está à frente do Bradesco.

[8] Eco feito por reportagem da Carta Capital, “Os Bastidores Antes da Estreia”, de 3.12.2014: “Trabuco formou-se em uma faculdade de filosofia e fez pós-graduação em sociopsicologia. Comanda um banco mais afinado com a clientela de baixa renda e não é dono da instituição”. Agora, sim, está explicado! Trabuco não é banqueiro, nem o Bradesco é um banco… Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? … O tempora, o mores!

[9] Ver também a matéria “No Túnel do Tempo”, Carta Capital de 5.11.2014, ainda não disponível na internet. “Levy não era o favorito para o cargo e teria sido uma sugestão do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, em uma reunião em Brasília, na terça-feira 18, da qual também participou o chefe do Conselho de Administração do banco, Lázaro Brandão. … O encontro da presidenta com a cúpula do Bradesco foi organizado por Lula, aparentemente simpático à nomeação de Trabuco para a Fazenda … Dilma emitiu um sinal de estar aberta ao diálogo com o setor financeiro. Trabuco e o Bradesco puderam exibir prestígio e ainda ficaram com o mérito de ter indicado o titular da Fazenda. … Um dia depois da reunião com a cúpula do Bradesco, Dilma recebeu o próprio Levy” (negritos nossos).

[10] Centro de Debate de Políticas Públicas (cdpp.org.br). Ver o texto “Sob a Luz do Sol – uma agenda para o Brasil”, do qual Joaquim Levy escreveu a parte sobre política fiscal.

[11] Embora não tratemos, neste artigo, da possível nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura, não podemos esquecer sua defesa enfática, feita pela Senadora petista e ex-Ministra Gleisi Hoffmann: “Ela foi a única liderança do agronegócio que apoiou a presidente e reconheceu o que o governo fez”, conforme Jânio de Freitas, “Dizeres”, Folha de São Paulo, 27.11.2014.

[12] Nesse “debate”, o artigo “A Esquerda Está Dividida Entre Duas Políticas”, de Bruno Altman, do Opera Mundi, de 3.12.2014, é um capítulo a parte. Buscando analisar a “esquerda governista” (sic!), identifica duas posições: uma ofensiva, imaginem só!, a da última resolução da Executiva Nacional do PT; e outra, defensiva, a do governo Dilma. Aponta ainda uma posição intermediária, a de Lula. Essa “contradição”, mais ao nível do discurso que real, é entre os reformistas hipócritas e os pelegos cínicos.

[13]Como o Comitê Central da Burguesia decide as medidas de política econômica”, de 7.07.2012, “A peregrinação de Dilma a Davos, a Meca do Capital”, de 9.02.2014 e “Mais uma Reunião do Comitê Central da Burguesia”, de 12.03.2014.

[14] In: MUSTO, Marcello (Org.). Trabalhadores, Uni-Vos! Antologia Política da I Internacional. São Paulo: Boitempo, 2014, pg. 300. O texto compilado no livro é um trecho de carta de Engels ao Conselho Federal Espanhol da Associação Internacional dos Trabalhadores, de 13.02.1871.

[14] In: MUSTO, Marcello (Org.). Trabalhadores, Uni-Vos! Antologia Política da I Internacional. São Paulo: Boitempo, 2014, pg. 300. O texto compilado no livro é um trecho de carta de Engels ao Conselho Federal Espanhol da Associação Internacional dos Trabalhadores, de 13.02.1871.

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