“A GLÓRIA DE UM COMUNISTA É LUTAR DE FORMA INCANSÁVEL E PERSISTENTE POR FAZER A REVOLUÇÃO NO SEU PAÍS” – Carlos Morais, dirigente comunista da Galícia.

Reproduzimos abaixo o discurso do camarada Carlos Morais, dirigente do Primeira Linha, organização comunista da Galícia, realizado em 11 de outubro, o Dia da Galícia Combatente.

Nessa intervenção o dirigente galego afirma a necessidade da organização do “partido comunista combatente, patriótico e revolucionário” como alternativa para se atingir o objetivo de “tomar o poder para construir uma nova sociedade num novo País”.

Mostra que “sem uma direção e uma nítida orientação operária o movimento de libertação nacional está condenado ao fracasso” e afirma a necessidade de “combater sem trégua o fetichismo eleitoral, o movimentismo cidadanista e desmascarar o ilusionismo de mudar o regime empregando a sua empodrecida e corrupta estrutura jurídico-política”

Afirma ainda com precisão: “A glória de um comunista é lutar de forma incansável e persistente por fazer a Revolução no seu país como o melhor contributo a felicidade do povo trabalhador e à emancipação da humanidade”.

O original pode ser lido aqui. Mantivemos o discurso em galego, língua que é parte da luta de libertação desse povo do domínio colonial espanhol.

 

PL-CabLeandro

DISCURSO DE CARLOS MORAIS NO DIA DA GALIZA COMBATENTE

Boa tarde camaradas!

Saudaçons comunistas, revolucionárias e patrióticas!

Por primeira vez desde que o Dia da Galiza Combatente foi instaurado por NÓS-UP em 2001, Primeira Linha convoca esta importante data do calendário político do movimento de libertaçom nacional galego.

Contrariamente ao que se pode pensar, esta decisom nom é consequência da irresponsável voadura que provocou a dissoluçom da Unidade Popular em maio, no que foi umha deliberada operaçom que originou enormes contratempos e retrocessos no desenvolvimento da esquerda revolucionária galega.

Esta efeméride, Dia da Galiza Combatente, fatídico 11 de outubro de 1990 no que morrérom Lola e José num operativo contra o narcotráfico, pretende recuperar a melhor tradiçom de combatividade do nosso povo, aqueles capítulos mais relevantes nos que estivérom envolvidos as melhores filhas e filhos da Galiza que nom se submete. Pretende recuperar do esquecimento, resgatar da amnésia os nossos referentes de luita, insumos imprescindíveis para avançar no caminho da Revoluçom Galega.

Fazemo-lo sem complexos nem ambigüidades. Com incomensurável orgulho. Com enorme alegria. Nós, comunistas galegos, reivindicamos a melhor seiva vermelha que parírom as entranhas deste povo.

Hoje, camaradas, alguns perguntarám porque estamos aqui, nesta emblemática atalaia do sul da Pátria de Benigno Álvares, da Galiza de José Gomes Gaioso, de Henriqueta Outeiro, de Henrique Líster, de Maria Araújo, de Abelardo Colaço, de Luís Soto, de Moncho Reboiras, e de milhares de comunistas anónimos que de forma perserverante contribuírom a espalhar o nosso ideário em quase um século.

Hoje estamos aqui, nom só para desfrutarmos da beleza outonal do bravo País montanhoso dos mil rios.

Estamos nesta fermosa serra do Galinheiro porque assim estamos mais perto do céu que pretendemos tomar por assalto. Sim camaradas, agora e aqui, estamos mais próximos do objetivo que coletivamente perseguimos como partido comunista combatente, patriótico e revolucionário: tomar o poder para construir umha nova sociedade num novo País.

Após superarmos o mais complexo e adverso treito da infeçom liquidacionista a que nos vimos submetidos no último ano, podemos afirmar sem temor a errar que logramos atravessar com êxito esta turbulenta e convulsa etapa que pretendia condenar ao faiado da história o primeiro partido comunista fundado na Europa ociental após a implosom da Uniom Soviética.

Afastados de qualquer triunfalismo ou de leituras maquilhadas, somos conscientes das enormes carências que arrastamos, dos grandes défices que possuimos para implementarmos as tarefas que temos traçadas. Mas logo de ter conseguido o fundamental: evitarmos desaparecer na maré do neopostmodernismo, da resignaçom, do conformismo, do pánico e do derrotismo, do marasmo e indecisom no que estivemos instalados desde a primavera de 2014, temos a firme determinaçom de continuar até o final. Até a vitória sempre como nos ensinou o Che que nos guia nas jornadas luminosas mas também nos dias sombrios.

Nom nos retiramos, embora era o que nos aconselhavam perante o desolador panorama, nom abandonamos o caminho, embora era o que o corpo e o ánimo muitas vezes nos pedia.

Mas “a fé geral na revoluçom” que Lenine definia como “o início da revoluçom”, “a sensaçom de cumprir com o mais sagrado dos deveres: luitar contra o imperialismo onde quer que se encontre” que “reconforta e cura amplamente qualquer afliçom” à que se refire o Che na sua carta de despedida, fôrom determinantes para nom tirar a toalha, para nom claudicarmos nem abandonarmos.

Às vezes modestas naves conseguem ter mais facilidade para evitar o naufrágio. O imenso Titanic nom logrou safar-se dos icebergs e fundiu com enorme facilidade.

Quem há 2 séculos derrotou o imperialismo espanhol nos campos de batalha afirmou que a “arte de vencer apreende-se nas derrotas”. Quanto razom tinha Simón Bolívar! Nestes longos meses apreendimos mais que nos vinte anos anteriores e tentaremos nom reproduzir os erros que tam caro pagamos.

Hoje, aqui e agora, neste cume desde o que divisamos as rias Baixas, o val Minhor e a Lourinha, com a solenidade da data que nos convoca, quereremos reafirmar-nos no juramento de seguir dedicando a nossa energia, talento e sonhos à sublime causa da classe obreira, do povo trabalhador e empobrecido, à causa da Revoluçom Galega e mundial. Seguimos pois com a espada em alto!

Primeira Linha nom se vai dedicar a praticar o wait and see, nem está disposta a instalar-se na ostrácia da nostálgia. Evitando reproduzirmos erros que fôrom analisados no seio do partido na 5ª Conferência Nacional e no 6º Congresso, temos a vontade de continuarmos cumprindo um papel relevante de direçom estratégica, de organizaçom de vanguarda marxista-leninista inserida na esquerda independentista galega.

Estamos convencidos da acertada afirmaçom de Julio António Mella de que “todo tempo futuro tem que ser melhor”.

Sim, camaradas, porque o modelo leninista de partido segue plenamente atual e vigente. Embora as tendências maioritárias que se extendem como umha maré contaminante entre o movimento popular estám hegemonizadas pola fraude do cidadanismo, temos que manter mais firme e alta a nossa rutilante bandeira vermelha, manter sem vacilaçons o leme na direçom que a bússola do marxismo nos guia e indica.

O combate ideológico é um dos principais frente de batalha perante as fábulas das marés, das cidadanias democráticas e transversais, de sucedâneos “partidos ruturistas” que só pretendem soldar e manter o status quo.

Todas estas trapalhadas reformistas som umha moda bem conhecida que só sonham com substituir ao PSOE na alternáncia eleitoral para que as suas tartufas elites ocupem a gestom do aparelho de dominaçom burguês.

O último ano foi pródigo neste fenómeno de discursos atraintemente antisistémicos e democráticos, mas que nom passam de velhos e fracassados remendos do capitalismo para que todo siga igual. O Tsipras e o Pablo Iglesias já deixárom claro que som umha estafa, e no caso do Jeremy Corbyn é simples questom de tempo para desprender-se da máscara “esquerdista”.

40 anos de democracia postfranquista tenhem sido mais que suficientes para demonstrar que a via eleitoral nom é o caminho para tomarmos o céu. Todo o contrário, é um itinerário sem final, umha rua sem saída.

Camaradas, a soluçom aos graves problemas que padecemos como classe, como povo e como naçom nom é eleitoral.

O método para podermos frear e reverter as contínuas agressons laborais e de género, para evitarmos mais cortes em direitos e liberdades, para erradicarmos a receita da austeridade à que a classe obreira e o povo trabalhador se vê submetido por Espanha e a Uniom Europeia, nom é desativando a mobilizaçom de massas, retirando o confronto das ruas e acreditando numha vitória eleitoral que nunca se produzirá, ou no caso de conseguí-la, será com um programa desvirtuado e inofensivo para os interesses das empresas do Ibex 35.

Há uns dias um dos maiores gansters das finanças espanholas afirmava que nom temia a um governo de Podemos. Porque ia ter medo o presidente de Bankia de algo que nom vai acontecer e no caso de que assim fosse nom passaria de ser um governo PSOE 2.0 sem tantas garavatas?. O exemplo da entreguista e traidora Syriza grega nom deixa margens para a dúvida!

Extraimos leiçons dos resultados das recentes eleiçons na Grécia, na Catalunha ou em Portugal, elos fracos da cadeia imperialista de dominaçom. Estes três exemplos do nosso contorno reafirmam a validez da via insurreicional traçada no nosso 5º Congresso e que é a folha de rota da nossa estratégia.

Camaradas, o ilusionismo eleitoral, o populismo caudilhista e o relativismo posmodernista que nega a possibilidade da mudança global, som os piores cancros que padece o movimento popular galego. Como partido de corte leninista somos favoráveis a dar batalhas em todos os frentes, também no eleitoral. Mas este nom pode ser o centro da intervençom política e social comunista, nem o da esquerda independentista galega.

Há que fomentar espaços de luita e de reagrupamento promovendo o Pólo patrióticio ruturista. É necessário impulsionar a construçom da nova unidade popular, desenvolver a edificaçom do partido comunista, pois som a melhor garantia para podermos abrir um novo ciclo guiado polas necessidades da nossa específica luita de classes e nom pola estratégia da franquia local da casta da Complutense.

Mas sem umha direçom e umha nítida orientaçom operária o movimento de libertaçom nacional está condenado ao fracasso. Há que combater sem trégua o fetichismo eleitoral, o movimentismo cidadanista e desmascarar o ilusionismo de mudar o regime empregando a sua empodrecida e corruta estrutura jurídico-política.

Luitamos para vencermos! Nom temos vocaçom de perdedores nem de eternos rersistencialistas. Queremos acompanharmos o nosso povo e à classe obreira à conquista do poder. Nom temos complexos, nem enganamos a ninguém com discursos tramposos. Nom prometemos mais nada que sacrifício, entrega, suor e lágrimas, a satisfaçom do dever cumprido, de contribuir à emancipaçom da classe trabalhador e à libertaçom da Pátria. Eis o contrato que temos assinado com a Galiza!.

Sabemos que “o caminho e longo e está cheio de dificuldades”, como também sabemos que sem seduzirmos o nosso povo nom som possíveis vitórias, acumulaçom de forças, saltos qualitativos, avanços tangíveis que permitam desputarmos a hegemonia a quem hoje nos condena à desolaçom, à dor, à fame e à manipulaçom.

Temos confiança na vitória porque temos a razom, pouco que perder e todo um mundo a ganhar!

Por isso queremos agir como comunistas! Como bons comunistas! Comunistas com maiúsculas. Eis polo que discrepamos de Deng Xiaoping em que “é glorioso enriquecer-se”. A glória de um comunista é luitar de forma incansável e persistente por fazer a Revoluçom no seu país como o melhor contributo a felicidade do povo trabalhador e à emancipaçom da humanidade.

Convocamos esta XV ediçom do Dia da Galiza Combatente sob a legenda Orgulho comunista. A luita é o único caminho, para recuperarmos e homenagearmos as geraçons de comunistas sem as quais nom se pode entender quase nada da história mais recente deste país.

À margem das naturais divergências que podamos ter, reivindicamos a luita d@s comunistas dos anos vinte e trinta na articulaçom do movimento obreiro e campesinho, na luita guerrilheira antifranquista da década de quarenta e cinquenta, na refundaçom da esquerda patriótica em 1964, nos heroicos episódios de março e setembro de 1972, na organizaçom da autodefesa galega de 1975 e décadas posteriores, na reorganizaçom da esquerda independentista que Primeira Linha inícia com a sua fundaçom em 1996.

Temos umha longa tradiçom que nos avala e nos legitima para seguirmos. Por isso estamos hoje aqui, mais perto dos sonhos que nos alimentam e emocionam.

Neste 40 aniversário do assassinato do comunista galego universal por excelência, queremos render-lhe um contributo especial a Moncho Reboiras, arquiteto da direçom obreira do movimento de libertaçom nacional, da descomplexada e genuína linha independentista, da aplicaçom teórico-prática da complementaçom de todas formas de luita, da confiança nas imensas capacidades da classe obreira e do povo trabalhador galego, da pedagogia do exemplo.

Eis a semente de vencer que nos acompanha na nossa militáncia, que nos ajuda a superar os contratempos e as dificuldades, que nos ilumina na oscuridade, que nos permite seguir sem desfalecer nem claudicar.

Camarada Moncho Reboiras, aqui estamos, aqui seguimos, alimentando a paixom pola Pátria sonhada! Nom te defraudaremos!

Camaradas, com orgulho comunista, nom cansaremos de transmitir à classe obreira, à juventude, às mulheres, ao conjunto do povo trabalhador e empobrecido da Galiza que a luita é o único caminho

Viva a Galiza Combatente!

Viva a Revoluçom Galega!

Denantes mort@s que escrav@s!

Pátria Socialista ou morte! Venceremos!

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