Intervenções na conjuntura da luta de classes

Camaradas e leitores.

Reunimos nesta publicação uma seleção de seis artigos recentes, produzidos pelo coletivo do Cem Flores e publicados em nosso site (cemflores.org) entre meados de 2017 e início de 2018. A opção foi a de reunir materiais que apresentem, de forma resumida, nossa análise da conjuntura atual e nossa intervenção concreta em questões centrais da luta de classes no Brasil hoje.

No primeiro texto, A Continuidade da Crise do Imperialismo, publicado em fevereiro de 2018, analisamos a permanência da crise do capital na economia mundial e as possíveis perspectivas (ou não) da retomada sustentada da reprodução ampliada capitalista e de sua taxa de lucro em escala global. A compreensão, do ponto de vista proletário, científico, das características da economia mundial é algo primordial e contínuo ao marxismo. Como afirmamos no texto é fundamental “a análise concreta da crise/ofensiva do imperialismo e a avaliação e o fomento da posição proletária justa na luta de classes”.

Essa também é a perspectiva do segundo texto dessa brochura, intitulado Teses Sobre a Crise do Capital e a Luta de Classes no Brasil, de abril de 2017. Nele apresentamos sinteticamente, em forma de teses (uma geral e dez específicas), “uma análise da conjuntura brasileira atual que busque se realizar de forma científica – utilizando, portanto, a teoria marxista – e a partir do ponto de vista da classe operária em sua luta por libertar-se da opressão capitalista”.

Os outros quatro textos que integram essa publicação estão em ordem cronológica (do mais recente ao mais antigo) e abordam questões centrais da conjuntura da luta de classes no Brasil atual.

O texto Reafirmar a Necessidade de uma Posição Política Independente do Proletariado na Luta de Classes, de abril de 2018, tem o objetivo de “combater a ideologia do oportunismo e do reformismo no seio do proletariado e dos demais trabalhadores”, ideologia que tenta se repaginar no movimento em defesa de Lula e do PT. O artigo mostra o caráter de partido burguês do PT, afirmando que “a necessária, urgente e imprescindível iniciativa em reconstruir uma alternativa revolucionária não pode ser desviada pelo ataque do inimigo mais ofensivo e organizado a buscar uma aliança com reformistas ou socialdemocratas, muito menos em defesa de Lula”.

O artigo seguinte, A nova intervenção militar no Rio de Janeiro: reforço da repressão burguesa no Brasil, de fevereiro de 2018, defende a tese de que, como desdobramento da crise e do acirramento na luta de classes no Brasil, “vem se constituindo nos últimos anos, qualquer que seja o governo, um reforço da presença do aparelho repressivo (Forças Armadas, Polícias Federal e Estaduais, Militares e Civis, Poder Judiciário, Ministérios Públicos, etc.) do estado capitalista no Brasil”. A compreensão dessa importante característica na luta de classes hoje é central na definição de nossa prática.

O quinto artigo dessa publicação, A atual reforma trabalhista e a luta de classes no Brasil, de janeiro de 2018, aborda a mais recente e profunda ação ofensiva da burguesia contra a classe operária e os trabalhadores: um conjunto de mudanças na legislação trabalhista visando “melhorar/retomar as condições para acumulação dos capitais resididos aqui via aumento da exploração e da dominação de classe”.

Essa seleção de textos se encerra com o artigo O movimento sindical na crise do capitalismo brasileiro, publicado em julho de 2017. Esse artigo desenvolve e aprofunda a análise do movimento sindical brasileiro, hegemonicamente dirigido por posições socialdemocratas, oportunistas e reformistas, prejudicando a resistência proletária à ofensiva burguesa em curso. Compreender os espaços e limites da atuação nessa esfera é central à retomada e ampliação da capacidade de luta da classe operária e dos trabalhadores hoje.

Lenin afirmava em Que Fazer? que “sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário” e que “só um partido guiado por uma teoria de vanguarda é capaz de preencher o papel de combatente de vanguarda”. Hoje, no Brasil e acreditamos que também na maior parte do mundo, a classe operária e os trabalhadores não lutam com sua posição própria e independente, mas resistem ainda contaminados pela posição do inimigo de classe.

Para nós, do Cem Flores, a primeira e principal razão do recuo das classes dominadas na luta de classes é a longa ausência de um partido revolucionário dotado de uma teoria revolucionária e presente na classe operária e, em contrapartida, a hegemonia política e ideológica sobre o proletariado do reformismo, do revisionismo e do oportunismo.

Contra isso reafirmamos nossa tarefa, que segue sendo a mesma de nossa constituição como coletivo:

“… colocamos para nossa organização comunista a necessidade de reconstruir o partido revolucionário do proletariado em nosso país e para isto cumprir três tarefas fundamentais. Primeira, retomar o marxismo-leninismo no nível do desenvolvimento em que se encontra hoje. Segunda, reconstruir o partido revolucionário, unidade indissolúvel da teoria e da prática. Terceira, aprofundar nossas ligações com as massas dentro do princípio de que só as massas dirigidas pela classe operária e seu partido, armado da teoria revolucionária, podem fazer a revolução”.

Cem Flores.

Maio de 2018.

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