25 de abril em Portugal: O Futuro Era Agora

Há 45 anos atrás, nessa data, um golpe militar derrubava o governo fascista em Portugal iniciando os 580 dias (de 25 de abril de 1974 a 25 de novembro de 1975) que ficaram conhecidos como Processo Revolucionário Em Curso (PREC).

O estudo desse período, muito comentado porém pouco conhecido entre nós, nos dá importantes lições para a análise da luta de classes, no Brasil e no mundo. Lições que nos permitem ver a gigantesca força de transformação das massas quando se levantam para efetivamente transformar a triste realidade em que estão inseridas; que nos auxiliam a compreender a necessidade de construirmos os instrumentos que garantam essas transformações, sem esperar dos outros a solução dos nossos problemas; lições que nos deixam claro, como dizia Marx, que a libertação da classe operária tem de ser obra da própria classe operária.

Para aprofundar nosso conhecimento dessa magnífica passagem da luta dos povos em todo o mundo, indicamos a leitura do livro O Futuro Era Agora que pode ser baixado aqui. A disponibilização dessa obra pela Edições Dinossauro é mais um importante trabalho de divulgação teórica realizado pelo Marxists Internet Archive (MIA) em português e pode ser também acessado aqui.

Lançado em 1994, em trabalho coordenado por Francisco Martins Rodrigues, esses trechos do prefácio do livro antecipam sua importância:

A meia centena de testemunhos despretenciosos que compõem parte deste livro são uma amostra limitada, que não cobre muitos dos aspectos vitais desse movimento (nomeadamente nos meios rurais), mas chegam para reconstituir a sua tremenda força, a sua raiz popular autêntica, a razão de ser das suas reivindicações, ainda mais chocante quando posta em contraste com a “apagada e vil tristeza” actual. São experiências que não podem ser perdidas porque fazem parte da nossa maturação colectiva.

É um outro 25 de Abril que emerge destes testemunhos, vivo, audacioso, criador, que não tem nada a ver com a caricatura que nos é servida como versão oficial: a estafada “gesta dos capitães”, os planos do general Spínola para o nosso futuro, os malfadados três D – toda essa “revolução” de opereta que a jovem geração com razão rejeita, porque lhe tresanda a hipocrisia paternalista.

Para a nova geração, sobretudo, será importante tomar conhecimento de um passado que há vinte anos lhe escondem, redescobrir a palpitação dessas jornadas de insatisfação e rebeldia, em que tudo parecia possível e cada um sentia que o rumo do país estava também nas suas mãos. Não é por acaso que, ao fim de tanto tempo, operários, estudantes, donas de casa, escritores, soldados, encontram expressões semelhantes para descrever esses dias: “tempo inesquecível”, “não voltei a ser o mesmo”, “a vida tinha um sentido”, “era a alegria”…

Para nós, saudar mas, principalmente, compreender o movimento popular do 25 de abril português, em suas conquistas e nos seus limites, permite verdadeiramente honrar os lutadores daquele processo e aprender com eles as lições para nossa luta.