A Revolução Proletária Mundial e a Luta de Resistência Palestina: intervenção do Cem Flores no programa “A Toupeira”
Palestinos comemoram a libertação e o retorno de milhares de presos políticos durante o cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Cem Flores
17.10.2025
O programa “A Toupeira”, da TV A Comuna, completou quatro anos de existência neste mês de outubro. Em comemoração à data, e para reafirmar sua perspectiva revolucionária, os camaradas que dirigem aquele programa organizaram uma live com a participação de diversas organizações e militantes comunistas e revolucionários sob o título geral de “A revolução proletária mundial e a luta de resistência palestina”. A íntegra do programa, realizado no dia 15 deste mês, pode ser encontrada aqui.
Transcrevemos abaixo o roteiro da intervenção do camarada Fauze Chelala.
VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES E DAS TRABALHADORAS DE TODOS OS PAÍSES!
VIVA A HERÓICA RESISTÊNCIA PALESTINA!
PALESTINA LIVRE!
PELA DERRUBADA REVOLUCIONÁRIA DO CAPITALISMO E PELA CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO!
* * *
“A revolução proletária mundial e a luta de resistência palestina”
Cem Flores
Apresentação e Saudação inicial.
- Em nome do Cem Flores, coletivo comunista que tem como instrumento de imprensa o site cemflores.org, saúdo o Programa A Toupeira e a TV A Comuna, pelos 4 anos de existência. Agradecemos o convite dos camaradas, pelo qual ficamos muito honrados. E desejamos desde já sucesso e muitos anos de luta para o canal e o programa.
- Saudamos também os outros camaradas e coletivos que estão na live, participando dessa comemoração e todos que estão assistindo esse ato agora ou assistirão posteriormente. Consideramos muito importante esse espaço e outros esforços de construção de debate e articulação do campo revolucionário no Brasil.
Algumas teses sobre o tema e a conjuntura.
- Para abordar o tema da live, a revolução proletária mundial e a luta de resistência palestina, é importante lembrar que o aniversário do programa A Toupeira está acompanhado de duas datas importantes nesse mês de outubro, além da Revolução Soviética. Em 8 de outubro de 1967, caiu em combate na Bolívia um grande comunista latino-americano, Ernesto Che Guevara, que além de sua exemplar postura abnegada, nos deixou diversas lições sobre a moral comunista, os desafios da transição socialista e a relação entre os comunistas e as massas exploradas. Falar da reconstrução do movimento comunista hoje, e da necessária reorganização revolucionária do proletariado, a nosso ver, envolve também resgatar esses grandiosos exemplos de luta, que ousaram avançar o marxismo-leninismo e conduzir processos revolucionários sob condições tão adversas como a cubana na metade do século passado. O Che, com seu espírito ousado, sua abnegação, sua capacidade de unir a disposição para a luta com a de buscar entender as características de nossos tempos, serve de inspiração até hoje a todos nós, comunistas.
- Já o dia 7 de outubro marcou 2 anos da Batalha do Dilúvio de Al-Aqsa, conduzida pela resistência palestina, inclusive por organizações comunistas, contra décadas de colonização e limpeza étnica impostas por Israel e apoiadas pelas demais potências imperialistas. Em 7 de outubro de 2023, numa impressionante ação militar, a resistência palestina fez o estado genocida e sionista de Israel sentir a fúria de um povo que vive a opressão colonial há mais de 77 anos. Essa heroica luta, que já ficou marcada na história, colocou a causa palestina no centro das lutas de resistência proletária no mundo e tem inspirado desde então povos em todo os países e enfrentado, de forma concreta, uma das mais violentas frentes de expansão colonial do imperialismo hoje. Não há dúvida de que, como no passado, os comunistas, o proletariado e os povos oprimidos de todo o mundo devem apoiar e se somar a tal luta de libertação nacional, defendendo de forma imediata o fim do genocídio palestino e apontando a perspectiva socialista como a única solução definitiva para a escalada global da guerra imperialista. A resistência palestina é um exemplo luminoso a todos nós!
- Camaradas, vivemos nesse ano de 2025 um agravamento das contradições do imperialismo. Os conflitos no Oriente Médio, dos quais a resistência palestina faz parte, são um dos exemplos desse agravamento, mas não o único. A guerra interimperialista da Ucrânia e o aumento das tensões no Sahel, nos mares do Sul da China e na Venezuela, entre outros, expressam essa tendência à guerra como expressão do imperialismo em crise.
- Em relação às contradições interimperialistas na atualidade, a central é aquela entre os EUA e a China. Há hoje um declínio relativo da principal potência imperialista, os EUA, concomitante a uma ascensão da China imperialista. Esse é o fator determinante em última instância dos ataques do atual governo de extrema-direita, fascista e autoritário, de Trump. Esses ataques têm resultado em submissão e acordos favoráveis aos EUA, chantagens e sanções tarifárias e financeiras, ameaças e ataques militares, e reações diplomáticas, em sua maioria meramente retóricas, e, no caso chinês, também tarifárias e comerciais. A continuidade dessa disputa, intrínseca à acumulação capitalista, tende a afetar as condições de acumulação e reprodução de capital e a taxa de lucro dos monopólios transnacionais, criando as condições para mais uma crise aberta do capitalismo global, além de reforçar a atual corrida armamentista, ampliando a tendência a guerras imperialistas.
- Mas é principalmente sobre a classe operária e os trabalhadores em todo o mundo que recai o peso dessa disputa entre potências imperialistas. Na busca incessante de retomar as taxas de lucro, aprofundam a exploração dos trabalhadores com jornadas mais exaustivas, piora nas condições de vida, perda de direitos conquistados, maior repressão e opressão em todos os sentidos e em todos os lugares do mundo. Por outro lado, os ataques imperialistas de Trump têm possibilitado o surgimento de um cínico e hipócrita discurso supostamente anti-imperialista por parte dos governos burgueses de “esquerda” ou da China/Rússia. Não podemos, em hipótese alguma, cair na armadilha oportunista de querer escolher um lado imperialista nessa luta ou acreditar na ilusão de um mundo multipolar imperialista que sirva aos interesses dos trabalhadores. Os comunistas e revolucionários não devem escolher qual inimigo de classe apoiar. Nosso papel é estar do lado do proletariado e dos povos que se levantam em revolta, como na Palestina e em vários países, contra todas as potências imperialistas, contra a fascistização crescente e contra todas as burguesias; pela revolução e pelo socialismo. Persistir nesse caminho, entre acertos e erros, vitórias e derrotas, até a vitória final.
- Em relação à conjuntura brasileira, ela continua extremamente difícil para a massa trabalhadora e com muitas armadilhas a cada passo da realidade. A violência é cotidiana, causada pela repressão policial e pelo domínio crescente do crime organizado e das milícias nas periferias das grandes cidades, além da permanente ameaça fascista e golpista. Os salários são baixos e apertados pela carestia. O nível de exploração, a jornada e a intensidade do trabalho são extremamente desgastantes física e mentalmente. Os pelegos do sindicalismo oportunista são agentes dos patrões para manter essa situação. O governo burguês de Lula-Alckmin segue na consolidação das “reformas” e demais ataques dos governos anteriores e avança na concretização do programa hegemônico da burguesia, com juros altos, teto de gastos, privatizações, ataques a benefícios sociais etc.
- No momento, o governo, seus aliados da dita esquerda, e demais forças políticas voltam todas as suas ações para as eleições burguesas de 2026. Querem, a todo custo, que os trabalhadores coloquem nas mãos desses oportunistas a solução dos nossos problemas. Solução que nunca foi encontrada nos anos em que o PT e seus aliados têm sido governo nesse país.
- Também a nível nacional, nosso papel não é escolher qual inimigo de classe apoiar, mas sim reforçar nossa presença e atuação nas lutas concretas do proletariado, nas resistências existentes, mesmo que ainda limitadas, nos locais de trabalho e moradia da classe operária e do povo. Há exemplos dessa possibilidade, como na recente greve da construção civil na região metropolitana de Belém, que mesmo com resultados muito aquém do possível, mostrou o potencial de luta dos operários principalmente se estiverem com sua posição de classe no comando. Os comunistas e revolucionários devemos e podemos avançar teórica e organizativamente em meio a essas lutas se retomarmos nossos princípios teóricos revolucionários, que nos permitem ver melhor a realidade e saber como agir nela, e nossa disposição de combate. Romper com os limites da luta em defesa da democracia burguesa, ou com as ilusões sobre o estado democrático de direito e voltar a ocupar o lugar que nos cabe e que hoje está ocupado por outras posições, de direita ou oportunistas.
3- Fechamento
- Essas são algumas posições do Cem Flores sobre a conjuntura e o tema do programa. Agradecemos mais uma vez o programa A Toupeira por mais esse espaço. Por fim, resgatamos o revolucionário português Francisco Martins Rodrigues: “Sabemos que a revolução só se constrói a partir do movimento real e não a partir de modelos por nós inventados. […] só participando nessas lutas [concretas e imediatas] podem os comunistas ajudar os coletivos de trabalhadores a percorrer a sua própria experiência, tomar consciência do antagonismo dos seus interesses face aos da burguesia, criar hábitos de organização, ganhar confiança nas suas próprias forças.”
- Temos dedicado o melhor de nossos esforços na reconstrução do movimento comunista no Brasil a partir dessa diretriz marxista-leninista. E achamos que as perspectivas são boas, apesar do caminho difícil. Há vários camaradas e coletivos espalhados por aí, aos poucos se encontrando e dispostos a mergulhar nas classes dominadas e nas suas lutas, explorando as contradições crescentes desse sistema de morte e destruição e avançando na construção de um instrumento político de fato revolucionário. Mas para que isso dê certo, não podemos cair na armadilha de ficar a reboque de nossos inimigos de classes. Devemos lutar com nossas bandeiras e em nossas trincheiras. E com o exemplo de vida e de luta de Che Guevara, que hoje relembramos, e dos combatentes palestinos, que não se dobram, temos a certeza de que, com a posição justa no comando, somos imbatíveis. Com erros e acertos, e aprendendo no calor da luta de classes, devemos apontar o caminho do enfrentamento ao imperialismo, à burguesia e seus estados, o caminho da ruptura revolucionária e da luta com nossas posições de classe.
- Desejamos um bom evento a todos e convidamos os camaradas a visitarem nosso site e nos seguirem nas redes sociais. Assim como continuar acompanhando os camaradas d`A Toupeira e da TV A Comuna.
Obrigado e até a próxima.

