“E lembremos sempre que não se pode confiar no imperialismo, mas nem um tantinho assim. Nada!” (Che Guevara)
Boletim Que Fazer – Outubro de 2025
O Che permanece na memória viva de todos os comunistas latino-americanos e do mundo inteiro como exemplo de dirigente comunista, de líder revolucionário e de combatente anti-imperialista!
Cem Flores
22.10.2025
O imperialismo dos EUA se torna cada vez mais agressivo sob o governo de extrema-direita, fascista, de Trump, no contexto do seu declínio relativo e do agravamento das contradições interimperialistas, principalmente contra o imperialismo chinês. Ao analisarmos seus diversos ataques ao redor do mundo, assim como seus “acordos” impostos, é imprescindível termos sempre em mente o ensinamento do Che sobre não confiar no imperialismo. Mais do que isso, na luta dos comunistas e das massas trabalhadoras de todo o mundo, especialmente na América Latina, contra a burguesia e seus aliados em cada país, termos sempre presente que “toda a nossa ação é um grito de guerra contra o imperialismo e um clamor pela unidade dos povos contra o grande inimigo da espécie humana: os Estados Unidos da América”.
- O frágil – e já rompido! – cessar-fogo em Gaza
O genocídio do povo Palestino sob ataque da potência colonial de Israel, a fome e as doenças a que estão submetidos pelo bloqueio, e a destruição quase total da Faixa de Gaza, dão a dimensão das condições em que ocorre a heroica luta daquele povo por sua libertação nacional, liderada pela resistência Palestina. A maior luta da atualidade atraiu uma imensa solidariedade dos povos de todo o mundo em gigantescas manifestações e greves nos países imperialistas e nos dominados, e forçou alguns governos burgueses/imperialistas a criticar o genocídio e a reconhecer diplomaticamente a Palestina. Além disso, junto com outros fatores, essa luta está por trás da imposição dos EUA a Israel de um frágil cessar-fogo, mascarado de “acordo de paz”. O cessar-fogo permitiu a libertação de 2 mil presos políticos Palestinos, trocados por 20 israelenses, e o retorno (embora ainda controlado por Israel) do fornecimento de água, comida e remédios à Faixa de Gaza.
A proposta de “acordo de paz” de Trump e Netanyahu é colonialista ao exigir o desarmamento da resistência e negar um governo próprio Palestino, substituído por uma administração colonial chefiada por Blair e o próprio Trump. Além disso, Israel já rompeu o cessar-fogo depois de pouco mais de duas semanas. Esses fatos comprovam, mais uma vez, que as massas trabalhadoras e os povos não podem confiar nos governos de Israel e dos EUA e nos das demais potências imperialistas. A luta Palestina continua, assim como devem continuar as manifestações de solidariedade internacionalista ao redor do mundo!
- Ameaça de intervenção imperialista na Venezuela
O imperialismo dos EUA se prepara para mais uma intervenção imperialista na América Latina. Trump já deslocou navios, caças e submarinos para a costa da Venezuela, além de 10 mil soldados; reabriu uma base militar em Porto Rico para apoiar a intervenção; atacou pelo menos cinco navios em águas internacionais próximas do país, assassinando 27 pessoas; e anunciou publicamente ter autorizado ações da CIA para derrubar o governo venezuelano, matar Maduro e invadir militarmente o país para executar o golpe de estado. A burguesia venezuelana e sua liderança de extrema-direita dão ativo e explícito apoio a uma eventual invasão imperialista do país – igualzinho à extrema-direita bolsonarista no Brasil.
A posição das classes trabalhadoras e dos comunistas é o oposto disso: exigimos a imediata interrupção das ameaças e dos ataques imperialistas dos EUA à Venezuela, denunciamos a postura pró-imperialista da burguesia venezuelana e prestamos nossa solidariedade internacionalista proletária aos nossos irmãos e irmãs trabalhadores da Venezuela. Serão a classe operária e a massa trabalhadora venezuelana, em sua força e organização, que poderão barrar as ameaças imperialistas, derrubar sua burguesia, avançar na conquista de suas demandas próprias de classe, econômicas e políticas, e construir a Revolução e o Socialismo!
- Lula e Trump: um acordo que entrega a soberania nacional?
Na primeira rodada do tarifaço de Trump, o Brasil foi taxado em 10% – e o governo burguês de Lula e a burguesia brasileira comemoraram ter recebido a menor tarifa. O que se seguiu foi o reforço dos ataques imperialistas de Trump com a taxação subindo para 50%, revogação de vistos e sanções econômico-financeiras. Já em modo eleitoreiro, Lula somou à hipócrita bandeira de “ricos x pobres” uma falsa defesa da soberania.
Primeiro, decidiu não usar a “lei de retaliação”, aprovada após a primeira rodada. Depois, Lula designou Alckmin para acertar com a burguesia brasileira e a americana os caminhos que seu governo deveria seguir, na defesa da acumulação e da reprodução do capital e dos lucros capitalistas. No meio do caminho, um pacote de salvação do capital de R$ 30 bilhões e de ataque aos trabalhadores dos setores atingidos. Burgueses brasileiros com subsidiárias nos EUA lideraram a negociação e conseguiram tirar metade das exportações brasileiras do tarifaço. Essa diplomacia patronal arranjou o encontro entre Lula e Trump na ONU, depois um telefonema entre os dois presidentes, uma reunião em Washington dos responsáveis pelas relações internacionais dos dois países e uma possível futura reunião presencial Lula-Trump.
Antes do início das negociações, o governo burguês de Lula já se antecipou e ofereceu aos EUA: 1) o acesso a terras raras (reforçando o extrativismo de país dominado. O Brasil tem a segunda reserva mundial e a China, que possui a primeira, recentemente restringiu suas exportações), 2) a isenção de impostos para data centers (colonialismo digital) e 3) promessas de investimentos nos EUA, entre outros.
Também neste caso fica claro, mais uma vez, que os interesses dos trabalhadores não podem ser confiados à burguesia nem ao imperialismo. Pelo contrário, a verdadeira posição anti-imperialista é a posição proletária e comunista de unir a luta contra os patrões internos à luta contra os patrões externos!

