CEM FLORES

QUE CEM FLORES DESABROCHEM! QUE CEM ESCOLAS RIVALIZEM!

Cem Flores, Conjuntura, Destaque, Imperialismo, Internacional, Nacional

Declaração Política do 4º Encontro de Organização: Os Comunistas não devem escolher qual inimigo de classe apoiar

Cem Flores

22.12.2025

 

Divulgamos aos camaradas e leitores a Declaração Política do 4º Encontro de Organização: Os Comunistas não devem escolher qual inimigo de classe apoiar. Esta Declaração é resultado de um longo processo de debate coletivo e representa mais um passo da trajetória política e organizativa do Coletivo Cem Flores. Esperamos que ela colabore com o avanço da luta comunista no Brasil no ano que se aproxima!

Esse material é composto por duas partes. A primeira, Manifesto Político, é uma defesa internacionalista da Palestina Livre, em apoio à Heroica Resistência Palestina. A segunda, Declaração Política, contém nossa análise da conjuntura da luta de classes no mundo e no Brasil e nossa linha política para o ano de 2026. Disponibilizamos a versão em PDF aqui e na imagem abaixo. Em seguida, reproduzimos a Introdução da Declaração Política.

O maior perigo, neste sentido, são as pessoas que não querem compreender que a luta contra o imperialismo é uma frase oca e falsa se não for indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo.

Lênin. Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo.

 

O 4º Encontro de Organização (EO), realizado no final de 2025, ocorreu numa conjuntura adversa para a luta proletária e comunista no Brasil e no mundo.

No cenário internacional, a crise do imperialismo agrava todas as contradições do sistema imperialista. A principal dessas contradições interimperialistas – o declínio relativo da principal potência imperialista, os EUA, diante da ascensão da China imperialista – é a determinante em última instância dos ataques do atual governo de extrema-direita, fascista e autoritário, de Trump, em busca de reverter esse declínio. Esses ataques têm resultado, no curto prazo, em submissão e acordos favoráveis aos EUA, chantagens e sanções tarifárias e financeiras, ameaças e ataques militares, e reações diplomáticas, em sua maioria meramente retóricas.

A continuidade dessa ofensiva do imperialismo dos EUA tende a afetar as condições de acumulação e reprodução de capital e a taxa de lucro dos monopólios transnacionais, criando as condições para mais uma crise aberta do capitalismo global, somada à bolha fictício-especulativa nos mercados financeiros internacionais, além de reforçar a atual corrida armamentista, ampliando a tendência a guerras imperialistas. Em prazo mais longo, mantidos os ataques do imperialismo dos EUA, agravam-se as tendências à crise, à guerra e a mudanças profundas na divisão do mundo entre as potências imperialistas. A China não apenas tem sido o único país a reagir de igual para igual aos ataques dos EUA, inclusive passando das retaliações reativas a medidas ativas, como também é a principal impulsionadora das mudanças na divisão internacional do trabalho. Além disso, os ataques imperialistas de Trump têm sido a justificativa atual de um cínico e hipócrita discurso supostamente anti-imperialista por parte dos governos burgueses de “esquerda” – em defesa dos interesses e dos lucros de suas classes dominantes. Esse oportunismo se acentua ainda mais quando ligado ao aspecto eleitoreiro.

É principalmente sobre a classe operária, os trabalhadores e os povos em todo o mundo que recai o peso dessa disputa entre potências imperialistas, além de toda a exploração capitalista e do colapso ambiental em curso. Na sua busca incessante de retomar as taxas de lucro, a burguesia aprofunda a devastação ambiental e a exploração dos trabalhadores com jornadas mais exaustivas, piora nas condições de vida, perda de conquistas, maior repressão e opressão em todos os países.

A conjuntura brasileira continua extremamente difícil para a massa trabalhadora. A violência é cotidiana, causada pela repressão policial e pelo domínio crescente de facções criminosas e das milícias nas periferias das grandes cidades, além da permanente ameaça fascista e golpista. As vítimas pertencem majoritariamente às classes dominadas, principalmente jovens negros da periferia. Com a proximidade das eleições de 2026, a extrema-direita passou para outro patamar de violência com a mais recente chacina nas favelas da Penha e do Alemão e seus mais de 120 mortos, prenunciando novas ações similares no futuro próximo. As mulheres trabalhadoras também enfrentam violência crescente, com alta de feminicídios, estupros, agressões e ameaças. Nos níveis econômico e das relações de trabalho, os salários permanecem baixos e apertados pela carestia e os níveis da exploração, da jornada e da intensidade do trabalho são extremamente desgastantes física e mentalmente para as classes trabalhadoras. Os pelegos do sindicalismo oportunista são agentes dos patrões para manter essa situação.

O governo burguês de Lula-Alckmin segue na consolidação das “reformas” e demais ataques dos governos anteriores e avança na concretização do programa hegemônico da burguesia, com juros altos, teto de gastos, privatizações, ataques a benefícios sociais etc. Todas as suas ações já têm, desde agora, como objetivo principal a reeleição em 2026. Isso inclui tanto a propaganda eleitoreira da pauta dos “ricos x pobres” quanto a pseudodefesa da “soberania nacional” diante dos ataques do imperialismo dos EUA ao país, além da disputa com a extrema-direita na pauta eleitoreira da “segurança pública”. No primeiro caso, busca-se garantir um discurso eleitoreiro para a “esquerda”. No segundo, servir aos patrões brasileiros e abrir nova oportunidade para ampliar as alianças eleitoreiras, ainda mais para a direita. No terceiro, mostrar-se melhor gestor do reforço do aparelho repressivo do estado capitalista brasileiro.

Apesar dessa conjuntura bastante desfavorável, coletivos proletários, de massa e comunistas ao redor do mundo resistem!

E os militantes reunidos no seu 4º EO, mesmo demonstrando plena consciência das atuais dificuldades, nos somamos a essa resistência. Diante da enormidade dos nossos desafios, reforçamos nossa disposição de luta em defesa dos interesses próprios e independentes da classe operária e das massas trabalhadoras, o que também significa fortalecer nossa organização no seio de nossa classe. Ao final do Encontro, aprovamos o Manifesto Político “Palestina Livre!” e a Declaração Política, por unanimidade, como expressão de nossa posição política e disposição de luta!

Viva o 4º Encontro de Organização!

Fortalecer nossa organização no Seio do Proletariado e das Massas Trabalhadoras!

Pela Construção do Poder Proletário, Pelo Socialismo e Pelo Comunismo!

O Presente É de Luta. O Futuro É Nosso!

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- 22/12/2025