Nota Política do Encontro Comunista: A Conjuntura Internacional e Nacional e as Perspectivas na Luta Pelo Socialismo!
Cem Flores
10.01.2026
O Encontro Comunista é formado por um conjunto de organizações, coletivos e militantes comunistas que visam a reconstrução de um campo revolucionário no Brasil, a partir de firmes princípios marxistas-leninistas e da nítida demarcação política contra o reformismo e o oportunismo. Formado em setembro de 2025, o Encontro lançou no último dia 8 sua primeira Nota Política (Versão em PDF aqui), com posicionamentos frente à intensa conjuntura internacional e nacional.
O Coletivo Cem Flores considera tal iniciativa fundamental para o movimento comunista no país, pois visa a construção de um espaço teórico e prático ciente das enormes tarefas presentes na luta proletária e sem qualquer ilusão com o caminho institucional burguês. Essa posição é explícita na Nota de janeiro, reproduzida abaixo e na qual afirma-se:
“Nesta conjuntura, não podemos vacilar! É imprescindível que os comunistas se aferrem em sua posição na luta dos trabalhadores contra todos os ataques em curso e marchem com posição própria, com autonomia política e ideológica, contra as ofensivas do imperialismo, da extrema direita e de qualquer governo burguês, sem ir a reboque do oportunismo do PT e de outras forças políticas que se apresentam como esquerda. É reforçando o caminho da organização e da luta que reconstruiremos o movimento sob bases revolucionárias e avançaremos contra a barbárie capitalista em curso.”
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Nota Política do Encontro Comunista
(janeiro de 2026)
A CONJUNTURA INTERNACIONAL E NACIONAL E AS PERSPECTIVAS NA LUTA PELO SOCIALISMO!
1 – O Encontro Comunista, cujos objetivos e princípios constam de documento anexo, dirige-se às forças políticas e militantes revolucionários, neste início de ano, no sentido de apresentar seu balanço da atual conjuntura internacional e nacional e as perspectivas em relação ao complexo ano que se inicia.
2 – A crise mundial do capitalismo continua sua trajetória iniciada por volta de 2008, dando sinais que tendem ao agravamento das contradições desse sistema, como o baixo patamar de taxa de lucro, a desaceleração da economia e o endividamento global. Uma das consequências mais dramáticas desse contexto geral de crise é o aumento da mais-valia, pelo fato do capital se empenhar cada vez mais na retirada de direitos e conquistas e no rebaixamento salarial, com a correspondente deterioração das condições de vida do proletariado.
3 – Essa ofensiva é facilitada, na maioria dos países, pela decadência e degeneração política e ideológica dos partidos que se proclamam comunistas, o que se reflete no movimento sindical e popular. O reformismo e o revisionismo já são hegemônicos no Movimento Comunista Internacional, o que nos leva a contribuir, dentro de nossas possibilidades e com autonomia, para a reconstrução e o fortalecimento do campo revolucionário que resiste em seu interior.
4 – Para garantir o êxito desta ofensiva, as burguesias nacionais tiram do seu armário suas armas mais eficientes para enfrentar a crise de acumulação do capital. Uma delas é o recurso a governos de extrema direita com características do fascismo, a criatura mais agressiva do capitalismo, que só será uma lembrança histórica quando seu criador for esmagado pelo proletariado.
5 – Entretanto, para se impor dominante nos dias de hoje, a ditadura do capital em muitos casos não precisa recorrer a golpes de estado, armados ou não, nem implantar assumidamente um regime fascista. A democracia burguesa tem sido o melhor instrumento para o exercício pleno de sua hegemonia, inclusive pela submissão dos governos de conciliação de classes, sempre favoráveis ao capital.
6 – Como se verifica em alguns casos, sobretudo na América Latina, a classe dominante opta por uma alternância de governo – não de poder – em que partidos burgueses puro sangue radicalizam a retirada de direitos e a repressão e, em seguida, dão lugar a partidos tidos como progressistas, que mantêm esses retrocessos e assim os legitimam, estimulando uma luta circunstancial contra os riscos do fascismo, limitada a objetivos eleitorais, além de inócua, por não ser também anticapitalista. Dispondo de hegemonia absoluta na maioria esmagadora das mídias, de imensos recursos financeiros, da cooptação de partidos e políticos profissionais oportunistas, da corrupção e de seitas religiosas, os interesses do capital são privilegiados em praticamente todos os governos e parlamentos do mundo.
7 – Por outro lado, recrudesce a disputa entre os blocos imperialistas pela hegemonia mundial, aumentando cada vez mais, com conflitos regionais e o acirramento das contradições, os riscos de uma guerra de proporção planetária com dramáticas consequências para a humanidade. Em meio à crise econômica, uma polarização entre setores das classes dominantes e expressivas manifestações de massas, os Estados Unidos, força hegemônica, ainda que em declínio relativo, é o lado que se torna cada vez mais ousado e agressivo.
8 – Pelo que se depreende da divulgação recente da estratégia de segurança e relações internacionais do governo Trump, o imperialismo estadunidense ajustou sua política mundial, que passa a abandonar na prática a Europa à sua própria sorte – inclusive na defesa de seus interesses coloniais ameaçados na África –, manter sua política agressiva para o Oriente Médio, com destaque para o suporte ao expansionismo colonial de Israel e a continuidade do genocídio palestino, e ampliar sua ação ofensiva na América Latina, onde visa reviver e radicalizar a Doutrina Monroe e dominar o continente com governos submissos, eleitos ou impostos por ameaças e/ou pelas armas, para realizar de fato o velho sonho de transformá-la no seu quintal, aprofundando a dominação na região. Essas movimentações do imperialismo ianque ocorrem para atingir seu objetivo principal, qual seja, enfrentar a China, principal potência capitalista em ascensão.
9 – A agressão à Venezuela, logo no terceiro dia deste ano, que incluiu o sequestro do presidente Nicolás Maduro – sob a acusação, sem qualquer indício, de narcotráfico e terrorismo – além de deixar evidente o objetivo principal de expropriar pela via militar as maiores reservas de petróleo do mundo, foi planejado como um recado explícito para todos os povos e países do mundo, sobretudo os latino-americanos e caribenhos. Trump, em entrevista pública, ousou afirmar que vai administrar a transição de poder na Venezuela e que a nova política do imperialismo ianque para o continente será mais radical que a Doutrina Monroe, já anunciando Cuba e Colômbia como as próximas vítimas, não por coincidência os governos nacionais que criticaram mais fortemente essa violação de princípios básicos das relações internacionais.
10 – Ainda é cedo para conclusões sobre os desdobramentos deste episódio dramático, no que se refere aos efeitos que provocará na conjuntura venezuelana e mundial, sobretudo na América Latina, até porque há vários fatos instigantes sobre os quais ainda pairam dúvidas, entre os quais a facilidade com que a ampla operação militar dos EUA se realizou em Caracas. A julgar pelas ameaças de anexação da Groelândia e pela recente decisão de suspender a participação dos Estados Unidos em 66 agências da ONU, o imperialismo ianque escancara sua determinação de manter sua condição ainda hegemônica a qualquer custo.
11 – De toda forma, a consequência mais evidente deste episódio é que, diante do avanço do capital chinês na América Latina, o imperialismo ianque concentrará grande parte de suas iniciativas políticas, econômicas e sobretudo militares em nosso continente, que trata como seu “quintal”. Nos últimos meses, a escalada militar dos EUA contra a Venezuela vem influenciando, em certa medida, o resultado de eleições na região, ao gerar, em parte do eleitorado, a sensação de que os candidatos apoiados por Trump garantirão a paz para seus povos.
12 – Esse desafio só poderá ser enfrentado e vencido por um amplo e unitário movimento de massas em todos os países da nossa região, solidários entre si, forjados na unidade entre forças internacionalistas, e que seja capaz de criar as condições para o surgimento de uma verdadeira frente latino-americana e caribenha de caráter anti-imperialista e anticapitalista.
13 – Os recentes gestos de Trump por tréguas, na Europa entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio entre Israel e Palestina, guardadas suas especificidades, são apenas “cortinas de fumaça”, táticas e temporais. Essas tréguas, cujo caráter provisório a vida revelará, por conta de contradições inconciliáveis entre as partes, revelam a prioridade dos EUA para se prepararem política e militarmente contra seu principal competidor pela hegemonia mundial, tanto do ponto de vista militar como econômico: a China, potência capitalista ascendente e seu “socialismo de mercado”, conceito que não consegue disfarçar o avanço impressionante – e cremos irreversível – do modo de produção capitalista, já consolidado no país. O recado mais forte do documento sobre a nova estratégia mundial estadunidense é exatamente a declaração de que vai continuar sua ajuda econômica e militar a Taiwan, que a China considera parte de seu território, uma disputa inconciliável com o potencial de levar à guerra interimperialista, cujos tambores batem cada vez mais fortes.
14 – Enquanto isso, o governo Lula procura se aproveitar desta bipolaridade tensa entre as potências, com o objetivo de tirar proveito para as classes dominantes. Como um equilibrista em cima do muro, favorece negócios nos dois campos que disputam a hegemonia mundial. Além de não romper com Israel, Lula se aproxima de Trump para reduzir tarifas chantagistas, a ponto de lhe propor aliança contra o “crime organizado” e de não repudiar com a firmeza necessária sua ingerência política e as ameaças militares em relação a países cujos povos são nossos vizinhos e irmãos. No caso da Venezuela, pronunciou-se de forma tardia, contida e protocolar.
15 – O Encontro Comunista, que tem como um de seus princípios o exercício do internacionalismo proletário, se soma às forças e movimentos também internacionalistas para cerrar fileiras na solidariedade em defesa dos povos de quaisquer países que venham a ser vítimas de suas classes dominantes e/ou do imperialismo, concentrando esforços, nesta quadra histórica, no apoio incondicional ao povo palestino e na resistência das classes trabalhadoras latino-americanas ao projeto expansionista do imperialismo ianque em declínio relativo.
16 – No Brasil, a economia se encontra em um processo de desaceleração pautado na intensificação da exploração dos trabalhadores, na retomada dos lucros da burguesia e na destruição ambiental, conduzida sobretudo pelo agronegócio e pela indústria extrativista voltada para o mercado externo. Esse processo aprofunda a especialização na produção intensiva e em larga escala de produtos primários de origem agropecuária ou mineral (commodities) e a posição subordinada do Brasil no sistema imperialista, em sua condição de país dominado.
17 – As projeções para o crescimento do PIB em 2026 estão em torno de 1,8%. Entre os fatores centrais para a desaceleração estão a segunda maior taxa de juros real do mundo e o endividamento das famílias, que consome 49% de suas rendas. Essas estratosféricas dívidas e taxa de juros de 15%, elevada e mantida pelo indicado por Lula no Banco Central desde sua posse, garantem elevados lucros ao capital na esfera financeira. Em 2025, quase 1 trilhão de reais foram pagos de juros da dívida pública!
18 – Mesmo em cenário de menor taxa de desemprego, que tende a ser invertida com a desaceleração, ocorre uma deterioração das condições de trabalho e de vida das massas trabalhadoras, sem perspectivas de melhorias significativas. É mais precarização do trabalho, alta informalidade, alto custo de vida, piora dos serviços públicos, endividamento, violência, colapso ambiental. Em meio a um período de “pleno emprego”, 38 milhões de trabalhadores estão na informalidade, 15 milhões continuam desempregados, desalentados ou subutilizados. Enquanto isso, o mercado de luxo vive um auge no país e a aplicação das políticas compensatórias do Banco Mundial para os mais pobres não impede o crescimento da desigualdade que segue sendo uma das maiores do mundo: o 1% mais rico concentra 63% da riqueza do país. Eis o resultado da governabilidade burguesa, independente dos partidos que se alternam, sempre em alianças funcionais à burguesia.
19 – O governo petista Lula-Alckmin inicia seu último ano e vem demonstrando, sobretudo por meio das políticas econômico-sociais, que defende, no fundamental, os interesses das classes dominantes. Longe das promessas vazias e eleitoreiras de revogação dos ataques dos governos Temer e Bolsonaro – promessas que voltam agora sob novas caras, para iludir novamente as massas! – o fato é que esse governo não apenas manteve e consolidou, entre outras, as contrarreformas trabalhista e da previdência, como também manteve e avançou o processo de privatizações, com o programa de parceria de investimentos batendo recordes de concessões e de parcerias público-privadas, o que piora drasticamente os serviços públicos. Também avançou e inovou em novas reformas exigidas pelo capital, como a tributária. O “arcabouço fiscal” na verdade é um arrocho constante em gastos sociais e nos serviços públicos para garantir lucros às classes dominantes. A grande burguesia e seus diversos setores, entre os quais finanças, indústria, agropecuária, nacionais ou estrangeiras, são atendidos generosamente e de diversas formas por esse governo, por exemplo, pelos seguidos planos safras recordes.
20 – A repressão segue com altas taxas de letalidade policial e com crescente integração do aparelho repressivo estatal. Ao mesmo tempo, esse governo tem se utilizado intensamente da máquina do estado burguês para cooptar e paralisar movimentos e lideranças dos trabalhadores. Assim, abafam-se a luta e a organização das massas e as atraem para a institucionalidade burguesa, enfraquecendo organizativa, política e ideologicamente as lutas dos trabalhadores. Isso se reflete no baixo número de greves e sindicalização, mesmo em cenário de menos desemprego. O reformismo e o oportunismo, que se lambuzam com cargos e verbas governamentais, servem de correia de transmissão de interesses da burguesia no movimento operário e popular, atrasando e bloqueando o avanço da luta classista e proletária.
21 – Nessa conjuntura, outro grupo político burguês é a extrema direita, que deve também ser combatida na luta de classes. Após a tentativa fracassada de golpe e as recentes condenações, esse setor encontra-se com várias dificuldades políticas e eleitorais, mas segue vivo e com peso político. Essa extrema direita mostra sua face abertamente servil aos Estados Unidos, ao articular e apoiar as ameaças e ataques imperialistas ao Brasil e a festejar a intervenção militar, política e econômica na Venezuela.
22 – A campanha eleitoral de 2026 já está em curso e determina as movimentações dos campos políticos que protagonizam a polarização e disputam a aliança com o chamado “centrão” – aliado de todos os governos, independente do partido do Presidente da República – que se vale de sua condição de fiel da balança para eleger os presidentes da Câmara e do Senado e decidir todas as votações no parlamento. O governo federal aciona seu modo eleitoreiro através de vários temas: “pobres x ricos”, “soberania nacional”, “escala 6×1”, “segurança pública”, buscando assim, mais uma vez, iludir os trabalhadores com falsas promessas e pequenas melhorias. Também ilude como se fosse a única alternativa frente à ameaça da extrema direita. Na realidade, o petismo também implementa políticas burguesas comuns ao bolsonarismo e se alia com setores de direita.
23 – Além disso, o petismo e seus aliados que se apresentam como esquerda, inclusive alguns autoproclamados socialistas e até comunistas, enfraquecem de várias formas a luta e a organização dos trabalhadores, o que impede o avanço da única força capaz de cortar o mal da extrema direita pela raiz. O horizonte de suas linhas políticas se limita à busca de mais espaço e relevância na institucionalidade burguesa e à vitória eleitoral do “mal menor”!
24 – Nesta conjuntura, não podemos vacilar! É imprescindível que os comunistas se aferrem em sua posição na luta dos trabalhadores contra todos os ataques em curso e marchem com posição própria, com autonomia política e ideológica, contra as ofensivas do imperialismo, da extrema direita e de qualquer governo burguês, sem ir a reboque do oportunismo do PT e de outras forças políticas que se apresentam como esquerda. É reforçando o caminho da organização e da luta que reconstruiremos o movimento sob bases revolucionárias e avançaremos contra a barbárie capitalista em curso.
25 – Neste momento complexo e ainda altamente desfavorável para o proletariado – mas que pode se alterar positivamente, tendo em vista as contradições internas do capitalismo e o acirramento da luta de classes – o Encontro Comunista se empenhará para a construção de um campo revolucionário, sem hegemonismos e autoproclamações, buscando se enraizar principalmente na classe operária e em luta junto a ela e também nos demais setores populares.
26 – Nos locais de trabalho, moradia e estudo há luta a se reforçar e organização a se construir. Nossa prioridade política não será o processo eleitoral nos marcos da democracia burguesa, mas a contribuição militante para o acirramento da luta de classes em nosso país, contribuindo, dentro de nossos limites, para reanimar o movimento de massas e denunciar a exploração, a opressão e a barbárie capitalistas, levantando bem alto a bandeira da revolução, do socialismo, entendido como caminho ao comunismo.
POR UM MUNDO SEM CLASSES, SEM OPRESSÃO, SEM FRONTEIRAS E SEM GUERRAS!
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!
(ENCONTRO COMUNISTA)
Brasil, 8 de janeiro de 2026
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Reconstruir o movimento comunista no Brasil inserido na classe, com independência proletária e em luta sem trégua contra o capitalismo, as potências imperialistas e o oportunismo!
Um conjunto de coletivos, organizações e militantes comunistas vem debatendo e trocando experiências com o objetivo de contribuir para pavimentar o caminho da luta revolucionária no Brasil, sob a firme perspectiva dos interesses e princípios proletários.
O compromisso principal assumido pelos participantes do Encontro Comunista é o empenho coletivo para a construção de um campo revolucionário, sem hegemonismos, autoproclamações, formalismos ou decisões administrativas, mas enraizado na classe operária e em luta junto a ela. Para isso, o estabelecimento de princípios, em nítida demarcação política contra o oportunismo que corrói a luta proletária, é fundamental, apesar de sabermos que estes só se tornarão realidade se formos capazes de colocá-los em prática.
Como resultado de nosso debate, decidimos consensualmente construir pontos de unidade para avançarmos o debate franco, aberto, paciente e respeitoso, não apenas entre nós mas com aqueles que se identifiquem com nossos objetivos principais, entre os quais a aproximação de nossas práticas e o aprofundamento de nossa compreensão e atuação na luta de classes, a partir de unidade de ação.
Temos ciência de que o Encontro Comunista que resultou nos princípios a que chegamos a consenso é modesto, do ponto de vista do peso político, e que será fundamental buscar o diálogo com mais organizações, coletivos e militantes comunistas em nosso país que considerem os princípios gerais a que chegamos até o momento, um primeiro passo para contribuir na construção de um campo revolucionário.
Nossa iniciativa e nosso convite ao debate e à luta comum se dão em um dos momentos mais dramáticos das últimas décadas, tanto na esfera internacional – levando em conta a escalada das contradições e disputas interimperialistas, sob risco iminente de guerras regionais e mundiais – como no âmbito nacional, numa conjuntura marcada por intensas disputas interburguesas, uma ofensiva contra as classes trabalhadoras e uma degeneração prática e ideológica da maioria das organizações que se declaram de esquerda, ou até mesmo comunistas, e do movimento de massas em geral, além da falta de debate e de unidade de ação das forças efetivamente revolucionárias.
Mas apesar dessa atual correlação de forças desfavorável, acreditamos que somente com a construção de um campo revolucionário comprometido e inserido na classe operária, as lutas populares e proletárias alcançarão conquistas e acumularão forças para a derrota do seu inimigo de classe e derrubada do capitalismo. Levantar a bandeira vermelha da luta proletária, contra a burguesia, seus governos, e todos os países imperialistas, sem ilusões, eis nossa tarefa fundamental!
Assim sendo, submetemos esses princípios à apreciação dos que se identifiquem com os objetivos e fundamentos desta iniciativa, para avançarmos em nosso próprio debate e darmos partida a essa iniciativa, ou seja, a retomada de um instrumento revolucionário a serviço do proletariado no Brasil, rumo à Revolução Socialista e ao Comunismo:
- Crítica e combate ao imperialismo e às potências capitalistas dominantes no mundo todo. Nenhuma ilusão com o “socialismo de mercado” chinês ou com possíveis alianças com blocos ou países imperialistas/capitalistas.
- Compreensão do capitalismo como modo de produção plenamente estabelecido no Brasil, apontando o caráter socialista do processo revolucionário brasileiro.
- Caracterização do governo petista Lula-Alckmin como governo a serviço da burguesia a ser denunciado e combatido.
- Crítica e combate intransigente às posições reformistas e oportunistas, por serem posições burguesas que manipulam e disputam a classe operária e as classes dominadas.
- A afirmação da classe operária como classe fundamental e dirigente da revolução, em aliança com os demais explorados e oprimidos comprometidos com a superação do capital, e da necessidade de sua independência e autonomia na luta de classes.
- Afirmação da necessidade de apoio, estímulo e participação concreta nas lutas existentes, a partir dos pontos anteriores, para além dos limites da institucionalidade burguesa, buscando articulá-las e desenvolvê-las politicamente com base em nossos princípios comuns.
- Buscar construir a mais ampla unidade de ação em torno dos interesses objetivos da classe operária e das classes dominadas na luta contra nossos inimigos de classe.
- A afirmação do marxismo-leninismo e da perspectiva revolucionária como caminho para a reconstrução do campo proletário em nosso país, pela derrubada do capitalismo e construção do Socialismo, rumo ao Comunismo.
- A defesa intransigente e a prática do internacionalismo proletário como princípio comunista, o que significa a solidariedade aos povos em luta contra o capital e o imperialismo e a articulação com o campo proletário e comunista internacional.
- A disposição dos participantes, a partir dos princípios elencados acima, para o debate franco, aberto, honesto e sem sectarismo.
29 de setembro de 2025
Encontro Comunista
Contato: encontrocomunista@protonmail.com

