PALESTINA LIVRE!
Manifesto Político aprovado no 4º Encontro de Organização
Cem Flores
14.01.2026
Mesmo sob um frágil cessar-fogo na devastada Faixa de Gaza, o esforço palestino de sobrevivência e reconstrução ainda enfrenta covardes cercos e ataques militares, em meio a um desastre humanitário avassalador. Na virada do ano, ratificando seu intuito de extermínio, Israel anunciou a proibição de dezenas de organizações internacionais de ajuda humanitária que hoje atuam na Faixa de Gaza, como a Médicos Sem Fronteiras. Ao mesmo tempo, na Cisjordânia, o terrorismo colonial se alastra: os ataques de colonos israelenses tornam-se cada vez mais frequentes e violentos, sob ampla cobertura e apoio do estado sionista.
Mas o povo palestino segue sua heroica resistência, em mais um ano de genocídio provocado pelas forças de ocupação israelense. De forma exemplar para os demais povos oprimidos e trabalhadores do mundo, os palestinos não abandonam sua terra e reagem de todas as formas possíveis. Nos escombros de Gaza, na sitiada Cisjordânia, nos centros de tortura sionistas – lá está o povo palestino a resistir, por décadas a fio!
Somando-se às fundamentais campanhas internacionalistas em defesa da causa palestina, que precisam continuar em 2026, o Coletivo Cem Flores aprovou, em seu 4º Encontro de Organização, o Manifesto Político Palestina Livre!, reproduzido abaixo. Todo o apoio à luta proletária e popular na Palestina, por sua libertação nacional, rumo à construção do Socialismo!
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MANIFESTO POLÍTICO
PALESTINA LIVRE!
Os últimos dois anos foram marcados por limpeza étnica e genocídio do governo de extrema-direita do estado colonialista de Israel contra o povo Palestino na Faixa de Gaza devastada e militarmente ocupada. Esses crimes de guerra são de conhecimento público, transmitidos diariamente para o mundo todo, apesar da forte censura estatal israelense e das distorções dos grandes monopólios de imprensa dos países capitalistas.
A quase totalidade dos governos burgueses do planeta apoiou e continua a apoiar Israel, de uma forma ou outra, em sua campanha de extermínio na Palestina. O apoio explícito é liderado, inquestionavelmente, pelo imperialismo dos EUA, corresponsável pelo genocídio tanto sob Biden quanto sob Trump, seguido das potências imperialistas europeias. Há também o covarde apoio envergonhado, a atitude silenciosa de fingir ignorar a maior chacina do mundo, posição da maior parte dos países.
Há ainda o apoio hipócrita dos governos burgueses que condenam Israel em palavras e o apoiam em ações. Seus meros discursos diplomáticos críticos são negados pela continuidade e mesmo expansão dos negócios e dos lucros com a máquina de guerra israelense. Esse é o caso do imperialismo chinês, responsável por um quarto das importações de Israel (o dobro dos EUA), com aumento de 20% em 2024, em pleno genocídio! Esse também é o caso do governo burguês de Lula.
O apoio burguês a mais esse genocídio não deve surpreender operários e comunistas. A burguesia e seus governos defendem, acima de tudo e a qualquer preço, sua acumulação de capital e seus lucros. Os patrões têm as mãos sujas do suor e do sangue dos trabalhadores e dos povos do mundo inteiro, tanto na escravidão assalariada e na repressão às lutas operárias, quanto nas guerras coloniais e imperialistas.
Menos de um século atrás, com judeus europeus confinados em guetos, parte da burguesia judaica negociava com os nazistas, enquanto trabalhadores e comunistas judeus resistiam heroicamente e eram martirizados em Varsóvia e em outros lugares. Para nos encher de escárnio, agora são os bisnetos dos judeus que sofreram os horrores inomináveis do Shoah os responsáveis por outro genocídio, os que assassinam com tranquilidade a dezenas de milhares de Palestinos em nome da grande Israel e suas políticas racistas, de limpeza étnica e genocídio.
Já o proletariado e os povos do mundo, incluindo uma parte dos trabalhadores de Israel, reconhecem o povo Palestino como seus irmãos e irmãs de classe. Todos sentimos, embora em proporção menor do que sofrem hoje os Palestinos, a mesma exploração colonial, os mesmos ataques dos patrões, somos torturados pela mesma fome, temos o mesmo sangue derramado pelos burgueses, colonialistas e imperialistas e encaramos a mesma morte. Mas, e principalmente!, todos combatemos o mesmo combate, temos os mesmos inimigos de classe e as mesmas esperanças de libertação e lutamos todos juntos pelo mesmo mundo sem exploradores nem explorados!
O precário cessar-fogo em vigor atualmente, constantemente violado por ataques assassinos e bloqueios criminosos do governo de Israel, é uma conquista da heroica resistência Palestina e de sua inquebrantável disposição de luta. Também é devido às grandes manifestações da classe operária e das massas populares ao redor do mundo, expressando a indispensável solidariedade internacionalista.
Foi essa luta incansável que impôs tanto os reconhecimentos envergonhados e tardios de governos imperialistas europeus ao estado Palestino quanto o próprio acordo colonialista do imperialismo dos EUA. No entanto, a conquista desse cessar-fogo provisório, fundamental para o povo Palestino, não pode iludir nem a resistência nem aqueles que a apoiam no mundo inteiro. O acordo colonialista dos EUA e de Israel restabelece na Palestina, formalmente, antigos protetorados imperialistas, agora sob o controle direto dos EUA e tutela de Israel. Na prática, o acordo colonial elimina a autodeterminação do povo Palestino e sua soberania política, econômica e militar.
No Brasil, enquanto Lula faz esporádicos discursos contra o genocídio Palestino, seu governo burguês é denunciado no Conselho de Direitos Humanos da ONU como cúmplice de Israel. A Petrobrás fornece petróleo e combustível de aviação para a máquina de guerra israelense. Quase 10% do petróleo bruto consumido por Israel veio do Brasil, e as exportações aumentaram em quase um terço durante o genocídio! Além disso, o exército continua suas relações com Israel, importando mísseis, enquanto governos estaduais aumentaram as compras de armamentos. Em termos diplomáticos, Brasil e Israel também mantêm relações normais.
É tarefa prioritária para os comunistas ampliar as ações de internacionalismo proletário com o povo Palestino. Reuniões, documentos, manifestações e bloqueios de embarque de mercadorias para Israel são ações imediatamente possíveis e necessárias. Em todas essas lutas, exigir o fim da ocupação colonialista e a total retirada das tropas de Israel da Palestina. É preciso enfrentar imediatamente a crise alimentar e sanitária em Gaza, com o ingresso de toda a ajuda possível, independente da autorização de Israel, eliminando seus entraves e começando a reconstrução do país.
Esse é o caminho das lutas de classes na Palestina, em Israel e ao redor do mundo para garantir a soberania Palestina em seu território, com governos livremente escolhidos pelo povo Palestino, e a expulsão dos colonizadores israelenses em Gaza e na Cisjordânia.
Todo o apoio à luta proletária e popular na Palestina, por sua libertação nacional, rumo à construção do Socialismo!
Viva a Heroica Resistência Palestina!
Viva o Internacionalismo Proletário!
PALESTINA LIVRE!

