CEM FLORES

QUE CEM FLORES DESABROCHEM! QUE CEM ESCOLAS RIVALIZEM!

Cem Flores, Conjuntura, Destaque, Lutas

Afastar as ilusões! Reforçar a necessária resistência proletária diante da ofensiva burguesa!

Greve operária na África do Sul, outubro de 2021.

Cem Flores

07.01.2022

A crise mundial do capital, aberta e exposta desde 2008, vem deixando cada vez mais claro as entranhas podres do imperialismo – o sistema global de exploração capitalista atual e de destruição. As recessões e a estagnação econômica generalizada, a sanha burguesa por manter ou retomar as taxas de lucro, têm acirrado todas as contradições desse sistema. A burguesia e seus estados avançam contra seus inimigos de classe, a classe operária e as massas exploradas de todos os países, ou contra seus concorrentes diretos.

O conflito entre as potências imperialistas, com destaque à disputa entre os EUA e a China, nos coloca cada dia mais próximos de mais uma grande guerra. As disputas no Mar da China ou na fronteira da Ucrânia são exemplos dos limites intransponíveis que a concorrência entre os monopólios impõe. A ilusão de um sistema imperialista pacífico, regulado pela potência hegemônica, pela ONU ou outro instrumento qualquer desses, só existe na cabeça dos ideólogos burgueses, que buscam disseminar a ilusão de que o capital pode ser controlado pelas instituições que servem à sua reprodução.

O imperialismo, fase apodrecida do capitalismo em que vivemos, se expressa nas contradições entre os monopólios transnacionais em grau muito mais elevado; na disputa pelas fontes de matéria-prima, majoritariamente nos países dominados; pelo domínio das rotas geográficas estratégicas; pelo controle dos mercados necessários à expansão de seus capitais. Essa necessidade intrínseca de expansão dos monopólios e de seus blocos imperialistas determina, em última instância, a ampliação dos conflitos interimperialistas, as tensões aumentadas entre países e capitais, as disputas políticas e os confrontos armados espalhados pelo mundo hoje.

Mas é na ofensiva contra a classe operária e os povos de todos os países que esse sistema expõe de maneira mais clara seu apodrecimento. O aprofundamento da crise imperialista empurra a burguesia a avançar na luta de classes contra os/as trabalhadores/as de todos os países. A necessidade da retomada de suas taxas de lucro impõe o aumento da exploração capitalista, da criação de mais valor, que necessariamente passa pela ofensiva contra a classe operária e as massas. É necessário rebaixar o patamar estabelecido das relações de trabalho, ampliando o valor extraído da força de trabalho, seja com o implemento de novas tecnologias ou, principalmente, pelo aumento das jornadas, pelo maior controle e intensificação da produção e pela piora das condições com que essa força de trabalho é reproduzida e vendida ao capital. Todos os aparelhos ideológicos e repressivo da burguesia – justiça, parlamento, governos, mídia – e suas “políticas públicas” vêm atrás “sacramentando” e “legalizando” esse novo patamar da exploração que vemos avançar a cada dia em todo o mundo. Tentando transformar em “normal” e “suportável” esse mundo de horrores.

Mas não há ação sem reação! A luta de classes é um fato da realidade, existe objetivamente, seja maior ou menor a consciência dela. A classe operária e os/as trabalhadores/as resistem mesmo sem ter sua posição própria e independente, de classe, no comando dessa resistência.

Para manter bilhões nesse “novo” mundo de barbárie, miséria e exploração, todos os aparelhos ideológicos e repressivo do capital avançam. No mundo elevam-se os gastos militares, ampliam-se as estruturas de repressão e a fachada das democracias burguesas vão desmoronando crescentemente. Trata-se de, internamente aos países, garantir a ordem necessária ao capital e, externamente, proteger os interesses dos verdadeiros donos do estado: os monopólios financeiros e seus aliados de classe. O pânico da burguesia com as explosões sociais, recorrentes nos últimos anos, e seu potencial de transformação ainda embrionário e espontâneo, deixa claro a necessidade que as classes dominantes têm de desenvolver seus mecanismos militares, políticos, jurídicos e ideológicos de controle social.

Nada mais natural que nesse quadro resgatem-se as ideologias que justificam essa barbárie capitalista. O fascismo ou outras ideologias reacionárias retomam seu papel, funcional às necessidades da burguesia nos períodos de graves crises, e “justificam” a ofensiva burguesa encontrando “inimigos” seja nos imigrantes que chegam à Europa ou aos EUA, nas populações dos países imperialistas concorrentes, nos pobres e miseráveis que esse sistema criou, nos negros, nos povos indígenas etc., de forma similar aos nazistas em relação aos judeus, nas décadas de 1930 e 1940. E, como sempre, em todos os processos de crise e de fascistização, o centro da ofensiva ideológica da burguesia é o combate ao seu verdadeiro inimigo de classe, pânico constante das classes dominantes de todo o mundo: o comunismo, os comunistas, a revolução!

Os capitais, nessa ação para tentar manter suas taxas de lucro, encontram nos partidos reformistas, revisionistas e oportunistas, aliados úteis para tentar travar, dividir e confundir a resistência das classes dominadas.

Seria viável, ainda mais na atual ofensiva burguesa imposta pela crise do imperialismo, acreditarmos que é possível, usando os instrumentos que essa mesma burguesia controla (o estado, as instituições jurídicas e políticas, o aparelho repressivo), alterar o sentido dessa ofensiva na luta de classes? É coerente acreditarmos que esses aparelhos, que existem para garantir a reprodução do capital, se moverão contra sua função essencial e servirão de instrumento de controle à ofensiva burguesa? Faz sentido acreditarmos que esses instrumentos com os quais os nossos inimigos de classe garantem e reproduzem sua exploração e dominação poderão ser usados contra essa exploração/dominação? Seria possível gerenciar o estado capitalista para atender aos interesses das classes dominadas?

A todas essas perguntas a única resposta é um gigantesco NÃO!

Essas perguntas resumem a ilusão e a mentira que o reformismo, o revisionismo, o oportunismo de plantão tentam nos vender todos os dias! Essas posições burguesas, inimigas da classe operária, que agem em nosso meio, que desarmam nossa capacidade de combate, que dividem nosso campo, que esterilizam nossa resistência, estão hoje mais presentes do que nunca. Apresentam-se como a “alternativa” que poderia combater o fascismo quando o que verdadeiramente fazem é nos desarmar nesse combate. Não será acreditando nos instrumentos do inimigo, na posição das classes dominantes que atua em nossas fileiras, que iremos alterar a barbárie que nos está sendo imposta. Nem mesmo aliviá-la! Só a luta da classe operária e dos/as trabalhadores/as com sua posição de classe pode frear essa ofensiva!

Essa ofensiva burguesa – econômica, política, ideológica e repressiva – alterou a conjuntura em todo mundo. De um lado, gigantescos monopólios, riqueza, opulência, luxo e do outro, miséria, pobreza, desemprego, fome, morte!  A pandemia nesses dois últimos anos deixou claro a todos esse quadro horroroso, quadro que os povos de todo o mundo já conheciam de seu cotidiano. A barbárie do sistema capitalista está completamente exposta.

Que alternativas podemos pensar nesse quadro? Que soluções a esse mundo apodrecido são possíveis do ponto de vista dos/as trabalhadores/as, da classe operária, do povo? O que fazer?

Afastar as ilusões reformistas, revisionistas e oportunistas que infestam a mal denominada “esquerda” é um primeiro e fundamental passo. Combater e criticar essa ideologia estranha à classe operária nos possibilita remover a cortina de fumaça que nos impede de ver claramente nossos objetivos a curto e a longo prazo. Combater e criticar essa ideologia que nos confunde e nos impede de identificar claramente nossos inimigos e nossos amigos. Que afasta a compreensão da necessidade de superação, de ruptura revolucionária desse sistema e o caminho para atingir esse objetivo.

Ou seja, recolocar no horizonte da classe operária e das suas lutas a questão do poder, da revolução, da derrubada do regime de escravidão assalariada do capitalismo e da construção do socialismo. Esse é o nosso norte, a estrela que deve nos guiar.

Esse longo caminho passa, necessariamente, por retomar a iniciativa proletária na luta de classes, por recolocar a posição da classe operária e das classes dominadas no comando de nossas ações e de nossa luta.

Para isso, não há atalho à necessidade de participar da vida cotidiana das massas operárias e trabalhadoras, compartilhar suas dificuldades concretas e lutar a seu lado. As lutas já existem e estão sendo travadas. Trata-se de mergulhar nelas, aprender com elas e, nesse processo de luta e vida conjunta, apontar nosso norte e organizar a luta em função desse objetivo.

Esse processo impõe, aprendendo com as formas de luta concreta existentes hoje e com a experiência de nossa classe, retomar o marxismo-leninismo, a teoria científica que nos permite compreender as tendências da luta de classes e agir para retomar e colocar no comando a posição proletária nessa luta. Nesse processo reconstruir nosso principal instrumento de combate: o Partido Comunista, o partido do proletariado.

Não há como indicar que esse caminho será curto e tranquilo. Mas nossas vidas já são uma constante luta para sobreviver a cada dia. Do que se trata é de caminhar no sentido justo. De colocar toda nossa energia no caminho que possibilite, mais cedo ou mais tarde, a destruição desse sistema podre e a construção da sociedade onde seremos donos do que produzimos. O caminho da revolução socialista e da construção do comunismo.

Cem Flores

Janeiro de 2022

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- 07/01/2022