CEM FLORES

QUE CEM FLORES DESABROCHEM! QUE CEM ESCOLAS RIVALIZEM!

Cem Flores, Cultura, Lutas, Mulher, Teoria

Lênin durante os anos da reação e do exílio: excertos das memórias de Krupskaia sobre Lênin

1870-2020: 150 anos do grande Lênin!

A líder revolucionária Nadejda Krupskaia com Soldados Vermelhos durante o período de Guerra Civil Russa, em 1920.

Cem Flores
15.05.2020

No último dia 22 de abril completaram-se 150 anos do nascimento do grande Lênin, comunista genial, principal dirigente do partido bolchevique, comandante da Revolução Russa, primeiro líder de um estado proletário, fundador da Internacional Comunista e revolucionário que nos inspira a todos e todas nós, militantes comunistas, por sua dedicação integral e de toda a vida à causa da classe operária e demais classes dominadas. 

Em homenagem à Lênin, o Cem Flores vai publicar ao longo deste ano textos que resgatam suas contribuições ao marxismo e à revolução

Iniciamos essa série de publicações com um trecho do livro de Nadejda Krupskaia, publicado em 1933, “Lênin: sua vida, sua doutrina”. Krupskaia foi militante comunista a vida inteira, destacada liderança e teórica feminina do movimento operário, companheira de Lênin (a quem conheceu na clandestinidade e com quem casou na deportação na Sibéria), e uma das principais formuladoras da pedagogia socialista na União Soviética. Vários de seus textos são dedicados a temas educacionais e culturais, à questão da mulher trabalhadora [1], à juventude e à moral comunistas. 

O trecho que selecionamos de suas memórias sobre Lênin trata do exílio de ambos em Genebra, em 1908, após a derrota da revolução de 1905 e a grande repressão que se seguiu, com perseguição, prisão, tortura e assassinato das lideranças bolcheviques e proletárias. Nas difíceis condições de exilados, tratava-se de retomar os contatos com os militantes do partido, reconstruir sua estrutura de direção, reorganizar a imprensa do partido e seus meios clandestinos de distribuição na Rússia, e levantar as finanças necessárias para tudo isso. Além de aprofundar o estudo do marxismo. 

A tarefa de (re)organizar o partido, à qual se dedicaram de forma incansável, exigia uma luta sem tréguas contra o reformismo e o oportunismo, tanto teórica, quanto política e organizativa. Só assim seria possível (como foi efetivamente) dirigir politicamente o movimento revolucionário, organizar as massas trabalhadoras e impulsioná-las para a mobilização e a luta. 

As memórias de Krupskaia mostram como Lênin, ela e outros dirigentes e militantes comunistas se dedicaram integralmente a essas tarefas, enfrentando dificuldades de todo o gênero. O compromisso inabalável com o proletariado, com o marxismo e com o comunismo possibilitava não esmorecer e perseverar na luta, mesmo nas condições de uma grande derrota e desorganização. Como afirma Krupskaia: 

Ilich não duvidou por um só momento que a derrota era somente temporária

A melhor tradução dessa certeza estava na postura da vanguarda da classe operária, que participara ativamente da revolução de 1905, lutara e fora derrotada, mas guardava a experiência de que era possível derrubar o governo dos patrões: 

 “Agora se fala, ou pelo menos todos o sentem, o que expressou aquele trabalhador têxtil que escreveu uma carta ao seu jornal sindical: ‘Os patrões anularam todas as nossas conquistas; os capatazes nos atormentam como antes, mas calma, 1905 voltará novamente!’

E, de fato, voltou! Fruto de mais de uma década de preparação ininterrupta, pós-1905, a revolução proletária ocorreu novamente. Doze anos depois, outro outubro, em 1917, dessa vez vitorioso, pôs fim ao domínio capitalista e iniciou o período histórico de construção do socialismo. 

As derrotas posteriores das primeiras experiências socialistas no mundo nos impõem a mesma tarefa de Lênin, Krupskaia e dos bolcheviques daquela época: reorganizar o partido comunista, retomar o marxismo-leninismo, combater o reformismo e o oportunismo e participar e impulsionar a luta proletária e das demais classes dominadas. Afinal, como cantaram Milton e Elis: 

outros outubros virão / Outras manhãs, plenas de sol e de luz”.

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A tradução a seguir foi feita pelo Cem Flores a partir da seguinte edição: Nadiezhda Krupskaya. (1933). Lênin: su vida, su doctrina. Buenos Aires: Editorial Rescate, 1984, pp. 155-161. O livro está disponível online tanto em espanhol quanto em inglês

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Anos da Reação: Genebra (1908)

Na noite da nossa chegada a Genebra, Ilich escreveu para Alexinsky – deputado da segunda Duma que, junto com outros deputados bolcheviques havia sido condenado a trabalhos forçados, que havia emigrado e que vivia então na Áustria – respondendo sua carta recebida em Berlim. Uns dias mais tarde, escrevia para Gorki, que pressionava Ilich para que o visitasse na ilha italiana de Capri. 

Foi impossível ir para Capri porque era preciso começar a publicar o Proletário (“Proletarii”), o órgão central ilegal do partido. Isso deveria ser realizado rapidamente a fim de dar ao movimento na Rússia uma liderança sistemática, tão essencial naqueles duros tempos da reação, através de um órgão central. Não se podia pensar em ir, mas na sua carta Ilich fantasiava como se a viagem pudesse ser realizada: “Certamente teria sido importante deslocar-se até Capri!”. E continuava dizendo: “Penso que seria preferível visitar-te quando estejas menos atarefado de modo que possamos descansar e conversar”. Ilich havia experimentado tantas vicissitudes nos últimos anos que desejava de fato uma conversa íntima com Gorki, mas se viu forçado a adiar a viagem. 

Não estava decidido se o Proletário iria ser publicado em Genebra ou em outro lugar no exterior. Escrevemos para Áustria, para o socialdemocrata Adler, e a Josef (Dzerzhinsky) que viviam lá. A Áustria estava mais perto da fronteira russa; em alguns aspectos teria sido mais fácil imprimir lá o jornal e o envio para a Rússia teria sido mais tranquilo. Mas Ilich alimentava poucas esperanças de poder organizar a publicação do jornal em outra parte a não ser em Genebra, e assim tomou as medidas necessárias para começar o trabalho lá. Para nossa surpresa, descobrimos uma máquina de compor que nos pertencia e que havia ficado ali em épocas anteriores. Isso reduzia os gastos e simplificava o problema. 

Apareceu também o camarada Vladimirov, o tipógrafo que preparava o Avante (“Vperiod”), jornal bolchevique publicado em Genebra antes da revolução de 1905. D. M. Kotlyarenko assumiu a responsabilidade pela parte comercial. Em fevereiro, todos os camaradas que haviam sido enviados da Rússia para organizar a publicação do jornal: Lênin, Bogdanov e Innokenty (Dobruvinsky) se reuniram em Genebra. 

Em carta datada de 2 de fevereiro, Vladimir Ilich escreveu para Máximo Gorki: “Tudo está pronto. Anunciaremos a publicação dentro de poucos dias. Te incluímos como colaborador. Me envie umas poucas linhas e me informe se poderás escrever para os primeiros números (algo semelhante às “Notas sobre o filisteísmo” na Novaya Zhizn ou extratos da novela que estejas escrevendo etc.)”. Já em 1894, Lênin no seu livro Quem São os Amigos do Povo e Como Lutam Contra os Socialdemocratas escreveu sobre a cultura burguesa e sobre o filisteísmo da pequena-burguesia, que desprezava e odiava profundamente. Daí que lhe satisfaria particularmente os artigos de Gorki sobre o filisteísmo. 

Para Lunacharsky, que tinha ido viver com Gorki em Capri, Ilich escreveu: “Faça-me umas linhas para saber se estás apropriadamente alojado e preparado para trabalhar outra vez”. 

A nova mesa diretora do jornal (Lênin, Bogdanov, Innokenty) enviou uma nota para Trotsky, que vivia em Viena, convidando-o a colaborar, mas Trotsky recusou. Na realidade, não desejava trabalhar com os bolcheviques, ainda que não o dissesse abertamente; se desculpou justificando que estava muito ocupado.

As preocupações para enviar o jornal para a Rússia começaram. Tratamos de restaurar os velhos contatos. No passado, havíamos embarcado nossa literatura pelo mar, em Marselha. Ilich pensou que agora poderiam ser feitas novas combinações para enviar o jornal via Capri, onde vivia Gorki. Escreveu para Maria Fedorovna Andreyeva, a mulher de Gorki, instruindo-a para acertar com empregados e trabalhadores dos barcos o embarque da literatura até Odessa. Também se comunicou com Alexinsky pedindo para que ele preparasse o envio através de Vilna, ainda que tivesse poucas esperanças de lograr êxito por esse lado. Alexinsky carecia de aptidão para esse trabalho. Escrevemos para nosso “especialista em embarques”, Pianitsky, que agora era um dos ativistas principais do comitê, e quem no passado realizara uma excelente tarefa no envio da literatura através da fronteira alemã. Pianitsky se encontrava na Rússia, e pelo tempo empregado para fugir da polícia, evitar a prisão e cruzar a fronteira para chegar até nós, transcorreram quase oito meses. No caminho, tentou organizar o envio do jornal através de Lvov, mas fracassou. 

Chegou a Genebra no outono de 1908. Decidimos que regressaria a Leipzig, onde havia vivido anteriormente, afim de restabelecer os velhos contatos e organizar o embarque do jornal através da fronteira alemã como tinha feito no passado. Alexinsky resolveu mudar-se para Genebra. Sua esposa, Tatiana Ivanova, tinha que ajudar-me com a correspondência da Rússia. Mas estes eram apenas os planos. Em relação às cartas, esperávamos mais do que recebemos. 

Muito pouco depois de chegar a Genebra ocorreu um acidente relacionado com a troca de dinheiro. Em julho de 1907, foi realizado um “procedimento” nas empresas do Tesouro do Estado na praça Erivan, em Tífilis. Quando o movimento revolucionário se achava no seu apogeu e a luta contra a autocracia se desenvolvia numa ampla frente, os bolcheviques alertaram a necessidade de realizar golpes e expropriações, como se chamavam, contra o Tesouro do Estado. Tal foi o caso de Tífilis. O dinheiro obtido na incursão em Tífilis foi entregue aos bolcheviques para fins revolucionários. Mas resultou impossível utilizar o dinheiro pois o mesmo consistia em notas de quinhentos rublos, que não haviam sido trocadas. Era inútil tentar trocar o dinheiro na Rússia, porque todos os bancos tinham a numeração das notas e fora estabelecido uma vigilância severa. A reação estava muito ativa; era indispensável organizar a fuga dos revolucionários que eram torturados nas prisões; a fim de impedir que o movimento se extinguisse, era urgente estabelecer gráficas secretas para imprimir literatura etc. O dinheiro era imperiosamente necessário. E assim um grupo de camaradas organizou tentativas de trocar as notas de 500 rublos em várias cidades de maneira simultânea. Essa tentativa foi realizada em Genebra uns poucos dias antes da nossa chegada. Um agente provocador, chamado Zhitomirsky, conhecia o fato e participou da operação. Nessa época, claro, ninguém sabia que Zhitomirsky era um agente provocador, e todos tinham completa confiança nele; mas na época ele já havia traído o camarada Kamo em Berlim. Graças ao papel duplo de Zhitomirsky, o camarada Kamo foi surpreendido com uma mala que continha dinamite. Foi preso pela polícia alemã e condenado a uma longa prisão. Mais tarde o entregaram às autoridades russas. Esse Zhitomirsky avisou a polícia sobre a tentativa de trocar as notas e as pessoas encarregadas da troca foram detidas. Um camarada letão, membro do grupo de Zurique, foi detido em Estocolmo, e Olga Ravich, membro do grupo de Genebra do nosso partido, que tinha vindo recentemente da Rússia, Bogdassarian e N. Khodzhamiran foram presos em Munique. 

Em Genebra foi detido N. A. Semashko. Um cartão postal foi enviado a um dos homens detidos, endereçado para sua casa. 

Os bons cidadãos suíços estavam mortalmente assustados por esse incidente. Só se ouvia falar sobre os russos “expropriadores”. Discutia-se isso com horror à mesa, na pensão onde Ilich e eu comíamos habitualmente. Quando Mikha Tskhakaya, o camarada caucasiano e presidente do terceiro congresso do partido, que vivia em Genebra nessa época, veio nos ver pela primeira vez, com seu traje típico, sua presença assustou tanto a dona da pensão, que sem dúvida pensou que ele tinha o aspecto de um bandido, que com um grito de medo fechou a porta na sua cara. 

Nessa época predominavam as posições ultra-oportunistas no partido socialdemocrata da Suíça e, com relação à prisão de N. A. Semashko, os socialdemocratas suíços declaravam eu seu país era o mais democrático do mundo, que a justiça regia no país, e que, portanto, não podiam tolerar atos de violência contra a propriedade privada em seu território. 

O governo russo exigiu a extradição dos detidos. Os socialdemocratas suecos estavam preparados para intervir, mas pediram que o grupo de Zurique, ao qual pertencia um dos camaradas presos, declarasse que ele, detido em Estocolmo, era um socialdemocrata que sempre vivera em Zurique. O grupo de Zurique, no qual predominavam os mencheviques, rechaçou essa sugestão. Os mencheviques também se apressaram a separar-se de Semashko mediante a imprensa local de Berna, na qual declararam que este não era socialdemocrata e não representava o grupo de Genebra no congresso de Stuttgart. 

Os mencheviques haviam condenado o levante de Moscou de 1905; se opunham a tudo o que pudesse assustar à burguesia liberal. Declaravam que o fato de que a intelligentsia burguesa abandonara a revolução no momento da derrota se devia não ao caráter de classe da intelligentsia burguesa, mas porque ela se sentiu aterrorizada pelos métodos de luta empregados pelos bolcheviques. Condenaram energicamente a exigência dos bolcheviques segundo a qual quando a luta revolucionária se encontrava no seu apogeu, a expropriação resultava em método legítimo de juntar recursos para tais fins. Opinavam que os bolcheviques afastaram e assustaram a burguesia liberal. Daí que os bolcheviques tinham que ser combatidos por quaisquer meios. 

Em carta datada de 26 de fevereiro de 1908, escrita para Plekanov, P. B. Axelrod desenvolveu um plano para desacreditar os bolcheviques aos olhos dos estrangeiros e utilizar o incidente da troca do dinheiro para esse objetivo. Propunha que se redigisse um informe que seria traduzido para o alemão e o francês e seria enviado ao comitê de administração (Vorstand) do partido socialdemocrata da Alemanha, para Kautsky, Adler, o Escritório da Internacional Socialista, Londres, etc. 

A carta de Axelrod foi publicada muitos anos mais tarde (1926). Mostra com clareza como já nessa época os caminhos dos bolcheviques e dos mencheviques divergiam amplamente. 

Como representante do Partido Operário Socialdemocrata Russo, Vladimir Ilich enviou um informe ao escritório da Internacional Socialista a respeito da prisão de N. A. Semashko. Também escreveu para Gorki dizendo-lhe que se ele conhecia Semashko pessoalmente deveria defende-lo na imprensa suíça. Semashko foi liberado rapidamente. 

Depois da revolução descobrimos que era difícil acostumarmos de novo à vida no exílio. Vladimir Ilich passava seus dias na biblioteca, mas de noite não sabíamos o que fazer. Não gostávamos de nos sentar no quarto frio e inóspito que havíamos alugado; queríamos estar no meio das pessoas, e a cada noite costumávamos ir ao cinema ou ao teatro, ainda que raramente permanecêssemos até o final do espetáculo e saíamos a vagar por qualquer parte, muito frequentemente até o lago. 

Por fim, em fevereiro, foi publicado o primeiro número do Proletariado (nº 21) em Genebra. O primeiro artigo de Vladimir Ilich no jornal é característico. Escreveu: 

Podemos trabalhar durante muitos anos antes da revolução. Não é por outra razão que nos dizem que somos tão duros quanto o granito. Os socialdemocratas construíram um partido proletário que não perderá impulso diante do fracasso do primeiro ataque militar, nem perderá a cabeça, nem será arrastado ao aventureirismo. Este partido marcha ao socialismo sem fazer profissão de fé no resultado deste ou daquele período das revoluções burguesas. Por essa razão, está livre das debilidades das revoluções burguesas. E este partido proletário marcha para a vitória”. 

Essas palavras expressam os pensamentos que dominavam a vida inteira de Vladimir Ilich nessa época. Durante o momento da derrota sonhava com as grandes vitórias proletárias. Falava sobre isso em nossos passeios pelas margens do lago de Genebra. 

O camarada Adoratsky, que foi desterrado da Rússia em 1906, e regressou no começo de 1908, se encontrava em Genebra quando nós chegamos nessa cidade. Ele lembra as conversas que tivemos com Ilich sobre o caráter da próxima revolução na Rússia e que Ilich expressava a opinião de que essa revolução colocaria indubitavelmente o poder nas mãos do proletariado. As reminiscências de Adoratsky confirmam o espírito que penetra o artigo acima citado e tudo quanto Lênin disse nessa época. Ilich não duvidou por um só momento que a derrota era somente temporária. 

O camarada Adoratsky também lembra que Vladimir Ilich lhe fez escrever um informe detalhado sobre os acontecimentos de 1905, e particularmente sobre as lições que deviam ser extraídas das questões concernentes à tarefa de armar os operários, a organização de destacamentos combatentes, a organização da insurreição e do tema do poder. Vladimir Ilich pensou que era necessário estudar muito cuidadosamente as experiências da revolução porque, como ele dizia, essa experiência seria útil em alto grau no futuro. Costumava discutir com quem havia participado na luta recente e mantinha com eles longas conversas. Na sua opinião a tarefa da classe trabalhadora russa era: 

Salvaguardar as tradições da luta revolucionária a que a intelligentsia e a pequena burguesia se apressaram a renunciar; desenvolver e fortalecer essas tradições; inculca-las nas mentes das amplas massas do povo; inseri-las na próxima e inevitável insurreição do movimento democrático”. 

Os mesmos trabalhadores – escrevia – seguem, por certo, espontaneamente essa linha. Lutaram nas grandes batalhas de outubro e dezembro com uma ousada paixão; viram claramente que podiam modificar suas condições apenas por meio dessa luta revolucionária direta. Agora se fala, ou pelo menos todos o sentem, o que expressou aquele trabalhador têxtil que escreveu uma carta ao seu jornal sindical: ‘Os patrões anularam todas as nossas conquistas; os capatazes nos atormentam como antes, mas calma, 1905 voltará novamente!’”. 

Calma, 1905 voltará novamente. Assim é como um trabalhador considera a situação. Para os trabalhadores, o ano da luta era um exemplo do que se deveria fazer. Para a intelligentsia e para a renegada classe média, esse era um ‘ano louco’, um exemplo do que não se deveria fazer. Para o proletariado, o estudo e a análise crítica das experiências da revolução significava aprender a aplicar os métodos de luta empregados nesse tempo de maneira mais exitosa; a fim de converter esse mesmo movimento grevista de outubro e a luta armada de dezembro num conflito de classe mais consciente, mais extenso e mais concentrado”. 

Ilich pintava os próximos anos como anos de preparação para um novo ataque. 

Era necessário tirar vantagens do “respiro” na luta revolucionária a fim de aprofundar seu conteúdo ainda mais. 

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[1] É dela, inclusive, o primeiro texto que analisa, a partir da posição marxista, a situação e a luta das mulheres na Rússia. “A mulher trabalhadora” foi escrito sob o codinome Sablina, em 1899, durante seu primeiro exílio, na Sibéria.

- 15/05/2020