CEM FLORES

QUE CEM FLORES DESABROCHEM! QUE CEM ESCOLAS RIVALIZEM!

Cem Flores, Conjuntura, Lutas, Nacional

O Breque dos Apps: só o primeiro dia da guerra!

Rio de Janeiro

Acharam que eu estava derrotado.
Quem achou estava errado! 
Eu voltei, tô aqui. Se liga só, escuta aí.
Ao contrário do que você queria 
Tô firmão, tô na correria!
Sou guerreiro e não pago pra vacilar.
Oitavo Anjo, 509-E

Cem Flores
02.07.2020

O 1º de julho de 2020 foi marcado por uma importante paralisação nacional dos entregadores e das entregadoras por aplicativos (principalmente Rappi, iFood, Uber e Loggi). Em dezenas de cidades pelo país, eles e elas desligaram seus aplicativos, fizeram piquetes em garagens e pontos de retirada de pedidos e realizaram atos nas ruas e praças com suas motos e bicicletas. Em suas bags, em vez de entregas, carregavam palavras de ordem e protestos. As reivindicações da greve foram: melhorias em sua remuneração e nas condições de trabalho, sobretudo na pandemia, benefícios e auxílios mínimos, além do fim das perseguições e arbitrariedades feitas pelos aplicativos.

São Paulo

Tal mobilização é um marco na luta dessa categoria, que em 2019 já era composta por 4 milhões de trabalhadores e trabalhadoras! Formada recentemente por aqueles e aquelas que perderam seus empregos formais nos últimos anos, ou encontraram nesses aplicativos a única forma de sustentarem suas famílias em contexto de grave e prolongada crise econômica, tal categoria praticamente não possui qualquer direito trabalhista (referente a jornada, salário, previdência, saúde…) ou representação sindical, além de ser vigiada constantemente pelas mais avançadas tecnologias. Considerados “autônomos”, precisam ainda concorrer entre si pela realização do serviço. Essa realidade, obviamente, é planejada e usada de forma muito lucrativa pelos seus patrões, os donos dos aplicativos e sua longa “rede” de intermediários. Ou seja, sua luta tem ocorrido sob condições muito adversas. E apesar de várias tentativas e mobilizações importantes terem acontecido nos últimos tempos, nenhuma delas se compara com o primeiro “breque” dos apps, seja em dimensão e adesão, ou em radicalidade, apoio e solidariedade política de outras categorias e setores das classes dominadas.

Belo Horizonte

Por isso é possível dizer que o dia 1º de julho foi não apenas um grito de revolta e uma resistência concreta dos entregadores e das entregadoras de todo o país, em luta contra as brutais condições de vida e trabalho nas quais estão submetidos (baixos salários, fome, humilhações, jornadas intermináveis, esgotamento físico, contaminação, acidentes, mortes…). Mas também mais uma ação de resistência das massas exploradas e oprimidas do país nesse contexto difícil de crise e violenta pandemia. Mais um corajoso ato de tomar as ruas contra toda a barbárie dos nossos dias. Sob o olhar e a manifestação solidária de muitos trabalhadores e trabalhadoras, em sua maioria também presos à informalidade e à pobreza, as milhares de motos e bicicletas cruzaram as cidades e mostraram a força da união dos explorados, a possibilidade de romper com o medo e com o individualismo, e a necessidade de dizer um basta a toda injustiça que sofremos todos os dias, seja pelos patrões, seja pelo seu Estado e governos. Aliás, antes mesmo do “breque”, os então entregadores e entregadoras anônimos “viralizavam” nas redes sociais convocando seus colegas de trabalho, sendo exemplos, para todo trabalhador e trabalhadora hoje, de garra, determinação e de trabalho contínuo de persuasão e mobilização pela base.  

Recife

Os aplicativos têm muito a temer com esse despertar e movimentação da categoria! Não à toa eles tentaram a todo custo desmobilizar a paralisação, divulgaram várias mentiras e cínicas declarações e continuaram sua intimidação e represálias de costume. Fora os locais nos quais a repressão teve apoio do próprio Estado. Mas onde há exploração, há luta! E esses trabalhadores e trabalhadoras demonstraram mais uma vez essa verdade, que rompe inclusive os cenários mais adversos à organização e à luta coletivas, como é o regime de trabalho informal via aplicativos. E como vários disseram nas ruas durante a greve, o 1º de julho é apenas o primeiro dia da guerra. 

Brasília

TODO APOIO À LUTA DOS TRABALHADORES DE APLICATIVOS!

- 02/07/2020