CEM FLORES

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Conjuntura, Destaque, Lutas, Nacional

O breque nacional dos aplicativos mostrou a força dos trabalhadores


Em várias localidades, os grevistas realizaram motociatas nos dias de paralisação. A união e a disposição de luta dos trabalhadores mostram o caminho para brecar a sanha dos patrões e arrancar melhorias.

Cem Flores

04.04.2025

Os dias 31 de março e 1º de abril de 2025 foram marcados por mais uma paralisação nacional dos entregadores e das entregadoras de aplicativos (iFood, Uber, 99 etc.). O “breque” nacional ocorreu em dezenas de cidades e em quase todas as capitais do país, uma mobilização acima do esperado pelos organizadores. De norte a sul do país, esses trabalhadores desligaram seus aplicativos e foram para as ruas e pontos de entrega em protesto. O impacto foi tão grande que inúmeros estabelecimentos cancelaram o delivery durante o período da paralisação. Nas redes sociais e na imprensa, a mobilização dos entregadores foi um assunto muito divulgado, e contou com o apoio de várias organizações e grupos.

“Quem faz o iFood e qualquer outro aplicativo andar somos nós. Sem nós, eles não funcionam e viemos aqui mostrar nossa força”, afirmou um dos entregadores. São os trabalhadores que movem não apenas os aplicativos, mas toda a produção – e por isso também poderão um dia transformar essa sociedade por completo!

Protesto na sede do iFood.

Muitos se lembram que há 5 anos, em plena pandemia, essa imensa categoria realizou o primeiro grande breque contra a exploração dos aplicativos. Desde então, algumas conquistas foram arrancadas, mas a situação continuou muito precária: baixos salários, falta de condições mínimas de trabalho, acidentes, violência… Assim, as pequenas e constantes lutas locais explodiram novamente em um breque nacional.

Nesse intervalo de tempo, a mudança de governo federal em nada alterou a vida dos entregadores. Logo no início de 2023, o governo Lula-Alckmin, boicotou uma paralisação já marcada e cooptou várias lideranças para um “grupo de trabalho”, prometendo mundos e fundos para a categoria. No entanto, era só enrolação. A proposta do governo de regulamentação de trabalho em aplicativos está alinhada com os empresários e em nada atende os interesses dos trabalhadores. Esse governo e seus aliados estão do lado da burguesia, e só a luta pode trazer melhorias!

O mais recente breque dos aplicativos envolveu pautas centrais dos entregadores como: a definição de uma taxa mínima de R$ 10 por corrida; o aumento da remuneração por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50; a limitação da atuação das bicicletas a um raio máximo de três quilômetros; e o pagamento integral de cada um dos pedidos. Durante a paralisação, os entregadores arrancaram uma reunião com os patrões, mas, apesar de acuados, ainda não apresentaram nenhuma contraproposta concreta. Portanto, a mobilização continua!

Mais uma vez, os entregadores de aplicativos se firmaram como um exemplo de luta para as demais categorias no Brasil. Merecem todo o apoio e solidariedade – a luta deles é a luta de todos os trabalhadores. Frente à perda no poder de compra, às condições de trabalho cada vez mais precárias e ao avanço da já abissal desigualdade, ampliar nossa organização e se preparar para os próximos combates, sem ilusões com os governos de plantão!

TODO APOIO À LUTA DOS TRABALHADORES DE APLICATIVOS!

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- 04/04/2025