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Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP): Palestina ou a chama revolucionária de geração após geração – 77 anos da Nakba

Cem Flores

23.05.2025

Todo 15 de maio, o povo palestino relembra sua história e sua luta contra a ocupação colonial israelense. O Dia da Nakba (Catástrofe) marca o início da invasão sionista na Palestina, em 1948, e da resistência popular ao roubo de terras e à limpeza étnica da região. São 77 anos de luta que resultaram em inúmeros palestinos mortos, feridos, sequestrados, perseguidos ou expulsos de suas terras. Mas também são 77 anos de um povo que se recusa a se curvar diante de seus algozes e das potências imperialistas aliadas de Israel; 77 anos de solidariedade e de luta internacionalista e anticolonial; 77 anos comprovando que nenhuma tirania é invencível e que, portanto, a Palestina livre virá!

Neste maio de 2025, a luta do povo palestino enfrenta uma nova ofensiva genocida de Israel, após a traição do cessar-fogo por Netanyahu. Desde o levante de 7 de outubro de 2023, já são mais de 50 mil mortos, 100 mil feridos e centenas de milhares de refugiados na Faixa de Gaza, devastada sob o financiamento e o apoio das “democracias” capitalistas. Agora, o governo israelense fala em invasão militar de todo o território da Faixa de Gaza e em controle, após meses de bloqueio, até mesmo da ajuda humanitária.

Nesse contexto de reforço da política fascista de Israel, que também avança com toda a ferocidade na região da Cisjordânia, devemos ampliar nossa luta e solidariedade internacionalista à Palestina. Desde 2023, grandes manifestações atravessaram o mundo e a resistência palestina tem inspirado as classes e os povos oprimidos de vários países. Continuemos levantando a bandeira da luta do povo palestino e combatendo, desde nossos locais de atuação, os apoiadores do Estado genocida de Israel!

Gigantesca manifestação de solidariedade à Palestina em Haia (Holanda), 18 de maio.

Nesse intuito, divulgamos mais uma nota da Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP), referente ao 77º aniversário da Nakba. A FPLP é uma organização marxista-leninista fundada em 1967 que luta pela libertação revolucionária do povo palestino. Atualmente, a FPLP, juntamente com outras organizações palestinas de tendências variadas, participa ativamente da resistência política e militar contra a mais recente investida colonial e genocida de Israel.


Publicações do Cem Flores em apoio à Resistência Palestina:

Todo apoio à resistência palestina!, de 11.10.2023

Solidariedade à luta palestina, pela Frente Popular pela Libertação da Palestina, de 20.10.2023

Em defesa da Luta Palestina: textos de Francisco Martins Rodrigues, de 21.10.2023

Entrevista com Haytham Abdo, liderança da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), de 09.02.2024

Meu Nome é Mahmoud Khalil e Eu Sou um Prisioneiro Político, de 28.03.2025


Apesar de conter ilusões com a falida estratégia da Autoridade Nacional Palestina e da Fatah, que preside a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), a nota dos camaradas da FPLP destaca a importância histórica da Nakba e sua continuidade até os dias atuais, no odioso genocídio em curso na Faixa de Gaza. Impedir esse genocídio é a prioridade absoluta da luta palestina hoje, que só cessará de fato, como lembra a FPLP, “com a conquista plena dos direitos nacionais do nosso povo”. Para isso, é fundamental não apenas a solidariedade internacional como a própria participação ativa das heroicas massas na Palestina na resistência. Enquanto durar a ocupação, a luta há de continuar!

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Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP)

Palestina ou a chama revolucionária de geração após geração – 77 anos da Nakba

Diante da nova Nakba… resistimos, nos unimos e marchamos rumo ao retorno e à libertação.

No dia 15 de maio, marcamos o 77º aniversário da Nakba – nossa ferida aberta que não cicatrizou – e um ponto de virada doloroso na história da humanidade, quando gangues sionistas, com total apoio das potências coloniais, cometeram um dos crimes mais horrendos da era moderna: a limpeza étnica sistemática do povo palestino, seu deslocamento, a destruição de centenas de cidades e vilarejos e o plantio de uma entidade colonial racista sobre as ruínas da nossa pátria.

A Nakba representou um momento crucial na história do nosso povo, uma revelação profunda da natureza do projeto sionista como instrumento racista, colonial e de desenraizamento, voltado à erradicação da identidade e existência nacional palestina, à apropriação da terra e ao deslocamento do povo palestino. Desde então, os capítulos da Nakba não cessaram, mas seguem renovados em formas de assassinatos, massacres, expulsão, discriminação, empobrecimento e cerco.

Hoje, a Nakba se repete de forma ainda mais sangrenta e bárbara na Faixa de Gaza, onde nosso povo enfrenta uma guerra genocida sem precedentes na história moderna. A máquina de ocupação realiza as mais atrozes formas de assassinato, destruição, fome e deslocamento. Hospitais, escolas e campos de deslocados são bombardeados sob um cerco sufocante, com cumplicidade internacional, silêncio global e parceria direta dos EUA.

Nesta dolorosa ocasião, a Frente Popular para a Libertação da Palestina, ao homenagear a firmeza do nosso povo em toda a pátria e no exílio — de Gaza à Cisjordânia, de Al-Quds aos territórios de 1948, dos campos da diáspora ao exílio forçado — afirma o seguinte:

Primeiro: Nosso conflito com a entidade sionista é uma luta histórica e abrangente, que só será resolvida com a conquista plena dos direitos nacionais do nosso povo, em especial o direito de retorno, a autodeterminação e o estabelecimento de um Estado palestino independente em toda a Palestina, com Al-Quds como capital. A causa palestina continuará sendo o centro do conflito árabe-sionista até que as raízes da Nakba sejam eliminadas e a ocupação termine.

Segundo: A verdadeira resposta à Nakba e suas consequências é a construção de uma frente unificada de resistência e a formulação de uma estratégia nacional abrangente que abrace todas as formas de resistência — com a luta armada à frente. Essa estratégia deve reafirmar a OLP como um marco nacional unificado e abrangente, baseado na parceria, na democracia e nas decisões consensuais. Visa impedir a monopolização, mobilizar as energias do nosso povo onde quer que esteja e garantir seu direito de resistir à ocupação até a libertação e o retorno.

Terceiro: Diante dos crimes contínuos, a prioridade absoluta hoje é deter a guerra genocida contra nosso povo em Gaza, pôr fim ao seu sofrimento, romper o cerco, iniciar a reconstrução e abrir um caminho político baseado nos direitos nacionais inalienáveis do nosso povo.

Quarto: Alertamos contra as tentativas de impor uma nova Nakba sob o disfarce de projetos coloniais expansionistas como os Acordos de Abraão, o “Novo Oriente Médio” e outros planos suspeitos que visam liquidar a causa palestina.

Quinto: É de importância máxima enfrentar as tentativas de liquidação da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), diante dos planos sionista-americanos de apagar a questão dos refugiados e o direito de retorno. O ataque à UNRWA em Gaza — com destruição de suas instalações e pessoal, fechamento de suas instituições em Al-Quds e impedimento de suas operações na Cisjordânia — é parte de um plano sistemático para eliminar essa questão.

Sexto: Renovamos nosso apelo pela completa libertação dos Acordos de Oslo e de todas as suas consequências, pelo fim das obrigações da Autoridade Palestina decorrentes desses acordos, pela suspensão da coordenação de segurança e de todas as formas de perseguição à resistência, pela reversão de decisões arbitrárias que afetam famílias de mártires, prisioneiros, feridos e libertos, e pela ruptura de toda dependência dos projetos sionista-americanos. Devemos avançar para a construção de uma arena de luta unificada que represente a vontade livre do povo palestino.

Sétimo: As massas da nossa nação, seus intelectuais e forças vivas devem se levantar para apoiar nossa luta e enfrentar a guerra genocida contra nosso povo. Devem rejeitar todas as formas de normalização com o inimigo sionista e combater o projeto de hegemonia neocolonial e os planos de fragmentação da região.

Oitavo: Saudamos com reverência a firmeza do povo irmão do Iêmen, que tem resistido à agressão e ao bloqueio por anos e que hoje continua — com posições corajosas e iniciativas populares e oficiais — a apoiar nossa causa, reafirmando a unidade do nosso destino e da nossa luta, impondo novas equações de dissuasão que alcançam profundamente a entidade sionista em apoio a Gaza. Também saudamos a valente resistência libanesa, que tem sido — e continua sendo — um pilar de apoio ao nosso povo e à resistência, parceira na batalha pela defesa da Palestina e prova da coesão das frentes de resistência diante do projeto sionista.

Nono: Apreciamos profundamente os gritos de solidariedade que ecoam nas ruas e universidades de Washington, Londres, Madri, Bruxelas, Joanesburgo e tantas outras capitais e cidades do mundo em apoio a Gaza, rejeitando a agressão e defendendo os direitos justos do nosso povo. A ascensão da solidariedade internacional constitui uma frente avançada na luta para deter a guerra, romper o cerco, expor os crimes da ocupação e responsabilizá-la internacionalmente.

Massas do nosso povo, filhos da nossa nação árabe, povos aliados do mundo.

Neste aniversário da Nakba, renovamos nosso compromisso com nosso povo, com as almas de nossos mártires, com nossos prisioneiros e feridos, de que a Frente Popular continuará sendo uma voz da verdade, um escudo da resistência, guardiã dos princípios nacionais e defensora firme do direito de retorno — um direito que não se perde e não se negocia. Como disse o sábio George Habash: “Não podemos garantir o futuro de nossas gerações enquanto a peste sionista permanecer em solo árabe.”

Saudações ao nosso povo resistente em todas as frentes.

Saudações aos nossos prisioneiros e prisioneiras nas prisões da ocupação.

Glória e eternidade aos mártires… E a vitória é inevitável.

 

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- 23/05/2025