O avanço da privatização no Brasil e a greve dos metroviários em Recife
Boletim Que Fazer – Novembro de 2025
A greve do metrô de Recife contra a privatização durou 3 dias e expressou vários limites da atual capacidade de resistência dos trabalhadores. Fortalecer a mobilização e a organização independente dos trabalhadores é o caminho!
Cem Flores
07.11.2025
A privatização segue a todo vapor no Brasil
Sob a cínica e hipócrita alegação de melhoria para a população, empresas, patrimônio e serviços públicos são privatizados há décadas no Brasil. No entanto, essas ações servem fundamentalmente para ampliar os lucros dos patrões (nacionais e estrangeiros), deteriorar as condições de trabalho daquele setor ou empresa e, como consequência, piorar e encarecer ainda mais os produtos e serviços prestados à população. Um exemplo recente foi a privatização da empresa de energia elétrica de Brasília em 2021. Desde então a conta de luz aumentou quase 50%, bem acima da inflação. A cada 11 minutos a empresa é alvo de reclamação. E as condições de trabalho só pioram!
A política de privatização ocorre hoje sob muitas formas: venda, terceirização, concessão, parcerias público-privada (PPP) etc. Cada uma, a seu modo, visa criar condições mais atrativas e lucrativas para a burguesia. Todas elas são aplicadas por governos burgueses, de todos os partidos – inclusive os ditos de “esquerda”. O atual governo burguês de Lula deixou intocada a última onda de privatização de Temer e Bolsonaro. Além disso, juntamente com governos locais, inclusive bolsonaristas, tem continuado a ofensiva burguesa sobre os trabalhadores com uma ampla agenda de privatização em todo o país, sobretudo via concessões e PPP. Desde 2023, o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), com apoio de bancos públicos, concluiu 90 projetos de privatização, movimentando centenas de bilhões de reais.
A infraestrutura no foco da privatização
Na atual onda de privatização, um dos principais focos tem sido a infraestrutura. Transporte público, ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, saneamento, energia, entre outras áreas, somam um conjunto enorme de projetos de privatização em curso no país. Sem contar áreas florestais e presídios para serem explorados pelas empresas sob permissão e apoio desse estado! Sob esse governo Lula, recordes estão sendo batidos: 2025 deve ser o ano com maior número de concessões de rodovias federais da história!
Nesse contexto, Pernambuco é um dos estados sob tal ataque, numa aliança entre governos federal e estadual. Tanto a empresa de saneamento quanto a de metrô estão sob o risco de privatização, após atravessarem vários anos de precarização e piora dos serviços. Em 25 de outubro, um trem do metrô chegou a pegar fogo, colocando em risco a vida de vários trabalhadores. Os governos iludem que a privatização é a solução, mas esse discurso é mais um engodo: sua principal razão é a perspectiva de lucro – por meio da exploração mais intensa dos trabalhadores de cada uma das empresas e do encarecimento dos serviços.
A luta contra a privatização em Recife
Nos últimos meses, os trabalhadores pernambucanos do saneamento e do metrô têm realizado vários protestos e mobilizações sobretudo na capital, Recife. Em outubro, os trabalhadores da companhia de saneamento realizaram uma greve de sete dias. E no início de novembro, foi a vez dos metroviários.
A greve dos metroviários foi aprovada em assembleia no dia 30 de outubro e iniciada em 3 de novembro. As estações da cidade foram fechadas. As pautas primordiais da greve foram luta contra o sucateamento do metrô e a ameaça de a privatização do Metrô do Recife, empresa que integra a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (governo federal). Logo no primeiro dia, o governo estadual enviou policiais fortemente armados para um dos piquetes da greve e o presidente do sindicato da categoria chegou a ser preso. Eis o estado cumprindo o seu papel: defender os interesses da burguesia a qualquer custo!
No dia 5 de novembro a greve foi suspensa por 30 dias, após acordo mediado pela justiça do trabalho. Apesar de impactante, a greve demonstrou frágil mobilização da base e vacilações da direção do sindicato em apontar os responsáveis pela privatização e não se iludir com promessas do governo.
O contexto não é fácil. A greve do saneamento do estado também avançou pouco contra a privatização. O baixo número de greves e organização dos trabalhadores atualmente é um fato na maioria das categorias. Além disso, há a presença de partidos e grupos oportunistas que tentam ao máximo blindar o governo federal, um dos responsáveis centrais dessa imensa ofensiva. Mas não há outra saída que não seja fortalecer a luta, debater e encontrar caminhos de organização junto aos trabalhadores, sem ilusões com os políticos e a justiça burguesas de plantão, buscando ampliar campanhas e mobilizações junto à população em prol não apenas da melhoria desses serviços, mas também de outras demandas das massas.

