CEM FLORES

QUE CEM FLORES DESABROCHEM! QUE CEM ESCOLAS RIVALIZEM!

Conjuntura, Destaque, Lutas, Movimento operário

Por um 1º de maio dos trabalhadores, sem ilusões com a burguesia!, por Encontro Comunista

Protesto e paralisação na Itália em solidariedade ao povo palestino, final de 2025.

 

Cem Flores

01.05.2026

 

O Encontro Comunista é formado por um conjunto de organizações, coletivos e militantes comunistas que visam a reconstrução de um campo revolucionário no Brasil. Recentemente, o Cem Flores divulgou a primeira Nota Política do Encontro, uma análise da conjuntura internacional e nacional com diretrizes para a luta comunista em contexto de agravamento das contradições interimperialistas. Em razão do 1º de Maio, o Encontro produziu mais um material, o qual reproduzimos abaixo.

Para o Encontro Comunista, “nesse 1º de maio, é preciso lançar um chamado de luta contra o avanço dessa barbárie [imperialista], feita de exploração e guerra, pelo fim desse mundo capitalista, que significa para nós mais morte e destruição. Ao mesmo tempo, nos colocamos ao lado daqueles que resistem, dos trabalhadores que se levantam contra a exploração e dos povos que reagem às agressões imperialistas, como o heroico povo palestino e mais recentemente a população e a resistência no Irã e no Líbano”. Pois, e é preciso lembrar em mais um ano eleitoral, não há saída para nós a não ser a continuidade e o aprofundamento da luta proletária e dos povos oprimidos e de sua organização independente.

 

*          *          *

 

Por um 1º de maio dos trabalhadores, sem ilusões com a burguesia!

 

Há mais de um século os trabalhadores têm o 1º de maio como um marco de sua história de lutas, sacrifícios e conquistas. Esse é um dia para relembrar nossa força, nossas batalhas e nossos heróis. Lembrar que só há melhoria nas condições de vida e trabalho para a nossa classe com união, luta e persistência!

Pois nesse mundo em que vivemos, o mundo capitalista, somos a classe explorada e oprimida, aquela que tudo produz, mas vive na miséria de um salário de fome. Um mundo que não serve para nós trabalhadores, um mundo que destrói nossas vidas. Por isso, há séculos também nossa luta é por uma nova sociedade, um novo mundo, sem exploração e opressão.

Nas últimas décadas, esse mundo de exploração vive crescentes contradições, com as potências econômicas disputando agressivamente por seus lucros, capitais e zonas de influência. Nessas disputas, há uma escalada armamentista em todo o mundo, a explosão de guerras cada vez mais violentas, e o retorno de governos e ideologias reacionárias, de extrema direita, assim como foram os nazistas e os fascistas do passado.

Na fábrica, na guerra, na vida, os que mais sofrem são os trabalhadores e os povos oprimidos. São da nossa classe aqueles que morrem aos poucos nas linhas de produção, para garantir o lucro dos patrões; aqueles mandados para as linhas de combate nas guerras, para assegurar o domínio de um ou outro bloco imperialista; além dos homens, mulheres e crianças assassinados cruelmente, como no genocídio executado contra os palestinos pelo Estado sionista e terrorista de Israel.

Portanto, nesse 1º de maio, é preciso lançar um chamado de luta contra o avanço dessa barbárie, feita de exploração e guerra, pelo fim desse mundo capitalista, que significa para nós mais morte e destruição. Ao mesmo tempo, nos colocamos ao lado daqueles que resistem, dos trabalhadores que se levantam contra a exploração e dos povos que reagem às agressões imperialistas, como o heroico povo palestino e mais recentemente a população e a resistência no Irã e no Líbano.

Toda essa conjuntura impacta de forma específica o Brasil. Mais recentemente, estamos vivemos mais um choque de inflação por causa de mais uma guerra, que ameaça fazer crescer a carestia. A piora do cenário externo pode também piorar a atual desaceleração da economia nacional: e isso se reverterá no aumento do desemprego, mais informalidade etc. Sem contar países vizinhos ao nosso sofrendo agressões e intervenções diretas do imperialismo dos EUA.

Há anos, governo após governo, avança a integração subordinada do Brasil na divisão internacional do trabalho, agora não apenas submisso ao imperialismo euro-atlântico, liderado pelos EUA. Cada vez mais, há a presença em nosso país da potência capitalista chinesa, maior produtora de manufaturados e exportadora de capital do mundo, em disputa pela hegemonia global com o imperialismo estadunidense. Em meio a isso, as condições de vida, a devastação da natureza e as expectativas das massas só pioram em nosso país. Pela fraqueza política e de organização da nossa classe, em vez de conseguirmos revidar a esse quadro, estamos sofrendo uma verdadeira ofensiva burguesa, que tem arrancado muitas conquistas.

Em mais um ano eleitoral, querem enganar os trabalhadores, dizendo que a solução virá de algum dos grupos políticos que representam objetivamente os interesses dos patrões, das classes dominantes. Mas é mais um engodo: nas questões centrais, como a política econômica, há uma unidade entre todos os principais candidatos. Suas diferenças estão apenas na forma com a qual pretendem garantir esses interesses burgueses e imperialistas por aqui: se com maior repressão e fascistização, ou com cooptação e enrolação. Se mais integrados ao imperialismo dos EUA ou aos interesses da China. E por aí vai.

A classe operária e demais trabalhadores não podem cair nessa armadilha de confiar às facções burguesas a solução dos nossos problemas ou nossas bandeiras de luta. Devemos, mesmo que se trate de uma luta a longo prazo, retomar nossos princípios na luta de classes e lutar a partir deles. Lutar do nosso ponto de vista, e sempre a partir de nossas demandas concretas e interesses fundamentais.

O caminho é persistir na organização e na elevação da capacidade de combate de nossa classe – nos locais de trabalho, moradia, estudo etc. Isso serve tanto para obter reformas parciais e imediatas como para afirmar nossos objetivos estratégicos: a classe trabalhadora no poder e o socialismo!

VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES!

 

ENCONTRO COMUNISTA

Brasil, 23 de abril de 2026

 

Compartilhe
- 01/05/2026