
Cem Flores
No dia 15 de maio de 2019, ocorreu mais uma grande greve nacional da educação no Brasil. Mais de um milhão de estudantes, pesquisadores e professores paralisaram suas atividades e foram às ruas protestar. Em todos os estados e no DF foram registradas manifestações. Sob sol ou sob chuva, os grevistas passaram o dia realizando “trancaços”, piquetes, bloqueios, demonstrações públicas, tanto nas proximidades das instituições educacionais, quanto nos centros de centenas de cidades pelo país. A aula foi na rua!
Motivos não faltaram para parar, mais uma vez, o calendário escolar ou universitário e se rebelar: inúmeros são os ataques que o Governo Bolsonaro tem imposto especificamente à educação, sobretudo o bilionário corte de verbas realizado pelo novo ministro da área, Abraham Weintraub.
A greve foi o grande assunto dos noticiários e ganhou a boca do povo, inclusive nas redes sociais. #TsunamiDaEducação e #NaRuaPelaEducação estiveram no topo das publicações da internet, inclusive a nível global. Fotos e vídeos dos atos se alastraram durante todo o dia. As massas demonstraram, mais uma vez, sua força!
“Mais uma vez” porque essa greve não foi um raio em céu azul. Diariamente as classes dominadas têm resistido e sobrevivido, com diferentes graus de organização e resistência, aos ataques das classes dominantes dos últimos anos, sobretudo desde o estourar da crise econômica.
As ruas já foram ocupadas contra Bolsonaro e sua corja fascistóide desde o ano passado, nos atos do #EleNão. Neste ano, já tivemos as manifestações de janeiro contra os aumentos das passagens do transporte público e as de março contra a reforma da previdência (que analisamos aqui).
E a educação tem sido um dos palcos importantes dessa luta (veja nossa análise sobre a proposta de reforma educacional do atual governo aqui). Um palco de relevância, com significativas batalhas recentes, que inclusive extrapolam suas pautas “específicas” e conseguem, por vezes, dar voz e corpo à insatisfação das massas: as históricas ocupações de escolas, reitorias, institutos e universidades em 2015/2016 contra reformas na educação e congelamento de gastos públicos; as greves nacionais do setor em 2016/2017; as mobilizações que tem marcado este mês de maio contra o último corte do governo federal…
E a luta promete (e necessita) continuar!Afinal, esse governo, representante fiel da burguesia em sua sanha de reanimar seus lucros, só tem a oferecer ainda mais arrocho e repressão, seja pelo reforço do seu aparelho repressivo, seja nas suas reformas da previdência e trabalhista.
Só nos resta aprofundar nosso ódio e desprezo à corja que se esconde em seus gabinetes por trás dos escudos da Força Nacional. Escudos que hoje se mostraram inúteis diante da união e disposição de luta dos grevistas.
Só nos resta permanecer nas ruas, organizar e protestar contra esse e outros ataques às nossas condições de vida e trabalho.
E assim derrotaremos aqueles se acham donos de nosso futuro.
Não vai ter corte, vai ter mais luta!





