CEM FLORES

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10 anos de Junho de 2013: o povo tinha (e ainda tem) razão em revoltar-se!

Cem Flores

09.06.2023

Há dez anos, as classes dominadas se levantavam em protestos de rua em centenas de cidades nas cinco regiões do Brasil. Tendo como estopim o aumento nas tarifas de transporte público na cidade de São Paulo, realizado pelo consórcio PSDB/PT, aquele Junho de 2013 entrou para a história como um dos maiores ciclos de manifestações do país, envolvendo milhões de pessoas nas ruas de todo o país. Foram dias de intensas lutas, de verdadeiras batalhas contra a repressão do estado capitalista, que balançaram o sistema político burguês e seus governos.

A força de Junho de 2013, da luta de massas, de sua explosão de insatisfação e por pautas variadas, não só obrigou a burguesia e seus governos a recuarem, como na revogação do aumento em São Paulo, como também gerou efeitos prolongados na dominação burguesa, que atravessou uma grave crise política, a se somar com a crise econômica do ano seguinte. As manifestações inauguraram um antes e depois, no qual todas as forças políticas precisaram se reposicionar. Nenhum fato político relevante dos últimos dez anos pode ser explicado sem levar em conta os efeitos daquele levante.

Junho de 2013 é um episódio fundamental da luta de classes recentes no Brasil. Para as classes dominantes, é um trauma que a assombrou e ainda assombra, não à toa as inúmeras mudanças no aparelho repressivo desde então, visando conter da forma mais eficaz possível qualquer surto de manifestações. Para as classes dominadas, dentre elas o proletariado e demais classes trabalhadoras, Junho de 2013 é um símbolo de força e audácia, de protestos que fizeram o inimigo de classe recuar – assim como se voltará a fazer no futuro! Aqueles protestos se tornaram parte da história de resistência e rebeldia contra aqueles que nos exploram e nos oprimem.


Leia as publicações do Cem Flores no período dos protestos de 2013 e 2014

O Povo Tem Razão de Revoltar-se!, 17 de junho de 2013.

Eppur Si Muove!, 23 de junho de 2013.

Continuar nas Ruas!, 27 de junho de 2013.

“Amanhã vai ser maior”: as manifestações de 2013 no Brasil e a retomada da ofensiva dos explorados na luta de classes, 15 de dezembro de 2013.

“Catracaço” no Rio de Janeiro mostra disposição para a luta!, 5 de fevereiro de 2014.

Continuar a mobilização nas ruas!, 20 de fevereiro de 2014.


Após dez anos, é fundamental voltar àqueles dias, relembrar as batalhas, fazer memória aos que lutaram – e também foram presos/as, feridos/as e até mortos/as pela repressão. Voltar àqueles dias também para avaliar a luta de classes de uma década atrás e retirar suas lições para a conjuntura atual. Pois a luta continua!

Revoltas contra o transporte público

O Brasil tem um longo histórico de manifestações populares contra aumento de tarifas no transporte urbano. Por várias vezes, esses protestos expressaram não apenas revolta contra o preço e a qualidade do transporte e os seguidos conluios de governantes e patrões para aumentar seus lucros. Chegaram também a canalizar a insatisfação das massas exploradas em relação às condições de vida no geral e a sua revolta sempre latente contra as classes dominantes e seu estado.

Um dos exemplos mais antigos é a chamada Revolta do Vintém, no Rio de Janeiro, então capital do país, no final do século XIX. Essa Revolta ocorreu contra a criação do tributo de um vintém sobre as passagens dos bondes e trens (que aumentaria o preço em cerca de 10%). Muitos bondes foram destruídos no levante, que enfrentou em barricadas as forças de repressão do estado na época, até conseguir a revogação do aumento.

Ilustração de uma batalha da Revolta do Vintém, Angelo Agostini, 1880.

Em 1947, outra importante revolta estourou, dessa vez em São Paulo, depois de um aumento nos bondes e ônibus da cidade. Centenas de meios de transportes foram destruídos e prédios públicos e de empresas foram ocupados e depredados pelas massas de trabalhadores/as.

Após várias décadas, com muitas lutas em todo país, por passe livre ou meia passagem nas tarifas urbanas para os estudantes, por exemplo, a juventude de Salvador deu continuidade a essa tradição. Em 2003, ocorreu na capital da Bahia a Revolta do Buzú. Milhares de estudantes tomaram as ruas nos meses de agosto e setembro daquele ano, resistindo contra um aumento na tarifa de ônibus. Na Revolta do Buzú, os/as manifestantes tiveram que resistir não só à repressão do governo e à difamação da mídia, mas também às tentativas de sabotagem de entidades e grupos da “esquerda” reformista, que à época chegava ao governo central do país.

Revolta do Buzú, Salvador, 2003.

No ano seguinte, foi em Florianópolis mais uma revolta. A Revolta da Catraca também se voltou contra o aumento de passagens, fechando o acesso à cidade por vários dias. Essa Revolta conseguiu não apenas a suspensão do aumento como a aprovação do passe livre estudantil.

A explosão de lutas que atravessou Junho de 2013

Seguindo esse histórico de revoltas populares contra a carestia no transporte público, chega-se a Junho de 2013. Naquele ano, as lutas contra os aumentos não começaram em São Paulo. Meses antes dos protestos paulistas de junho, outras cidades já apresentavam protestos pelos mesmos motivos, como foi o caso de Natal, Goiânia e Porto Alegre. Esses protestos de rua eram puxados por frentes de luta e movimentos contra o aumento, com forte peso da juventude, e com utilização cada vez maior das redes sociais para marcar e divulgar manifestações.

Em Natal, os protestos contra o aumento ocorreram ainda em 2012, dando continuidade a atos contra a prefeita da cidade à época. Os protestos daquele ano ficaram conhecidos como a Revolta do Busão. O movimento foi vitorioso e estimulou outras cidades a resistirem contra os aumentos que ocorriam em várias capitais do país.

Em seguida, Porto Alegre e Goiânia se levantaram. O reajuste na tarifa foi revogado na capital gaúcha ainda em abril de 2013, contabilizando mais uma vitória ao movimento popular. Já em Goiânia, houve uma forte repressão do estado.

Protestos contra aumento da tarifa em Porto Alegre, março de 2013.

Nesse contexto, no início de junho de 2013, o Movimento Passe Livre convocou atos contra o aumento da tarifa de R$ 3 para R$ 3,20 em São Paulo. A violenta repressão sofrida pelo movimento em 13 de junho, com a prisão de centenas de manifestantes e diversos/as feridos/as, gerou uma grande repercussão. Diante da repressão, diversos grupos de manifestantes começam a se organizar em coletivos de autodefesa.

Nos dias seguintes os protestos começam a se disseminar e atrair diversas camadas das massas, indo além da luta por transportes. Em Brasília, na abertura da copa das confederações, houve um ato em repúdio aos gastos faraônicos do governo do PT para sediar a copa do mundo no ano seguinte. Periferias de vários locais do país também se mobilizaram e foram às ruas. Como disse à época o senhor Wirson, 61, morador da favela do Cantagalo: “a manifestação é importante, é a oportunidade que nós temos de mostrar e anunciar. Quem está satisfeito fica em casa e quem não está vem para rua. Vamos lutar por nós. Pelo que nós queremos”.

Protesto de moradores da Rocinha por saneamento básico, junho de 2013.

No dia 19 de junho, os governos do Rio e São Paulo revogaram o aumento de tarifas. Os atos não recuam e atingem seu ápice no dia 20. Centenas de cidades registraram gigantescas manifestações, com mais de 1 milhão de pessoas nas ruas no total. Todo o aparato repressivo do estado não foi capaz de impedir tamanho protesto.

Avenida Paulista no dia 20 de junho.

A explosão impressionante das manifestações pelo país atraiu cada vez mais camadas médias da população e forças políticas de direita, que ali viram uma oportunidade de acumularem politicamente. A cobertura da mídia também passa a se render aos protestos, buscando moldá-los para seus próprios interesses.

Após o dia 20, é o próprio governo federal que se pronuncia. Com popularidade profundamente abalada pelos atos, a presidente Dilma busca iludir as massas com um conjunto de promessas e rodadas de negociações com demais governantes, ao mesmo tempo em que continua a repressão, junto com a mídia e a direita, daqueles que ousavam perturbar a “ordem”.

Após esse pico, os protestos caíram de patamar. Mas se mantiveram ainda por muitos meses contra a copa do mundo e as olimpíadas e seus impactos, por melhorias nos serviços públicos e contra a repressão.

Ato contra a copa, em São Paulo, 2014.

Junto aos protestos, continuaram as greves e as paralisações de trabalhadores/as, que explodiram em 2013 e se mantiveram em alta nos anos seguintes. Várias dessas greves atropelaram as direções sindicais pelegas, seguindo o exemplo das revoltas operárias na construção civil, iniciadas em 2011. Como foi o caso dos/as garis do Rio de Janeiro, que realizaram uma histórica greve em 2014, em pleno carnaval. O prefeito Eduardo Paes chamou o movimento de motim, pois apenas paralisação convocada pelo sindicato oficial poderia ser considerada greve (sic!). A força dos/as trabalhadores/as arrancou 37% de aumento, a reversão de centenas de demissões e outros benefícios.

Um dos protestos dos/as garis do Rio de Janeiro em 2014.

Em todas essas lutas, a perseguição e a repressão de todo o estado capitalista e da mídia continuaram intensas, utilizando-se de mecanismos de estado de sítio, como as operações de Garantia de Lei e da Ordem. Para as cidades-sede dos eventos esportivos, Dilma enviou as forças armadas, que passaram a operar de forma cada vez mais integrada com as polícias locais. Em reunião com empresários no Palácio do Planalto, dia 27 de maio de 2014, Dilma disse: “Não vai ter baderna […] É a imagem do Brasil que estará em jogo. [Se necessário] vai se chamar o Exército. Estamos tomando todas as providências. Não vamos ter problemas de segurança. Na mesma toada, em São Paulo, Alckmin reprimiu e perseguiu a greve do metrô de São Paulo em 2014, chegando a demitir arbitrariamente 42 trabalhadores/as em um só dia.

Tropa de Choque invadindo estação de metrô de São Paulo na greve de 2014.

Razões não faltavam para se rebelar!

Uma explosão de lutas das classes dominadas atravessou o ano de 2013 no Brasil. Essa explosão seguiu tradições antigas de levantes populares no país, como as revoltas contra aumento de tarifas de transportes, e se somou aos enfrentamentos de trabalhadores/as já em curso naquele período. Além disso, essa explosão ocorreu em período de grandes protestos globais, uma consequência do acirramento da luta de classes após uma grande crise do capital em 2008. Dos Estados Unidos aos países árabes houve registros de levantes populares no início dos anos 2010.

Aqueles que subestimam esse caráter do Junho de 2013, ou mesmo distorcem aqueles eventos, colocando-os como manobras das forças reacionárias que se rearticulavam e voltavam também às ruas à época, precisam ser desmascarados. Normalmente, a intenção dessa gente é defender os governos “de esquerda” da época: os mesmos responsáveis, junto aos governos de direita, pelos tarifaços, pelos serviços públicos caóticos e pela repressão que se voltou violentamente contra as massas em luta por melhorias nas condições de vida! Estavam juntos, o governo federal do PT e os governos estaduais do PT, PSDB, PMDB e outros partidos da ordem na ação para defender os interesses burgueses e reprimir a justa reação do povo oprimido.

Essas lutas ocorreram por muitas razões concretas. Em primeiro lugar, como já se pôde ver pelo estopim de Junho, havia um problema de carestia de vida que se acumulava na época. Não eram só as tarifas de transporte público que estavam subindo em várias cidades. Essas foram de fato a gota d’água diante de muitos problemas concretos enfrentados pelas massas trabalhadoras, um dentre os vários itens do custo de vida que estava se elevando.

Em junho de 2013, a inflação em 12 meses passava dos 6%, após anos seguidos com taxa similar, acumulando assim uma carestia considerável. A inflação nos alimentos, nos aluguéis e nos serviços pessoais pesava ainda mais para as classes trabalhadoras. O endividamento das famílias também não parava de subir. O estímulo ao crédito e ao consumo dos governos do PT, portanto, encontrava já seus limites e contradições.

Junto à inflação e ao endividamento, a economia desacelerava. A redução da expansão chinesa e a queda ciclo das commodities a nível internacional tinham efeitos diretos na economia brasileira, que em 2014 entraria em uma recessão histórica. O desemprego atingia cerca de 15%, segundo a taxa ampliada do IBGE.

Dentro desse mercado de trabalho que já tinha batido no teto, a situação estava bem longe de estar boa. Como demonstramos em 2013, nos anos 2000 houve um crescimento quase somente de empregos de até 2 salários mínimos. A terceirização avançava, a rotatividade crescia nos novos postos e a precarização se espalhava por todo o mercado de trabalho. Isso em cenário onde o aumento da escolaridade significava cada vez menos retorno em termos de renda. Uma das explicações para essa deterioração das vagas geradas é a reformulação da estrutura econômica do país, aprofundada durante os governos do PT, reforçando a especialização na produção de produtos primários (commodities) e a inserção dominada do Brasil na divisão internacional do trabalho, amplificando os processos de desindustrialização e de reprimarização da formação econômica brasileira.

Gráfico da evolução do número de empregos formais, por faixa de remuneração, de 2002 a 2013, elaborado por Fernando Augusto Mansor de Mattos.

A crescente exploração foi outra característica fundamental do mercado de trabalho. Na indústria automotiva, em 2013 e 2014, houve a maior produtividade (que, na produção capitalista, significa exploração do operariado!) já registrada. Dividindo a produção de veículos pelo número de empregados, cada operário/a produziu cerca de 3 veículos mensalmente. Enquanto isso, os salários ficaram bem longe de crescer na mesma intensidade. Pelo contrário, foram se aproximando cada vez mais do salário mínimo. Já no coração do programa “desenvolvimentista” do governo do PT, nas obras do PAC, a exploração do operariado era brutal. Só de 2008 a 2011 foram registradas oficialmente 40 mortes de operários/as do PAC por acidente de trabalho, principalmente por choques, soterramento e quedas. Uma taxa muito acima da média registrada no país. Não à toa esse setor conviveu com constantes rebeliões.

Obviamente, esse inferno para os/as trabalhadores/as se expressou no lucro dos patrões, que cresceu até o estouro da gigantesca crise de 2014-2016. O gráfico abaixo, de Bruno Theodosio, mostra a alta da taxa de lucro nos anos que antecedem 2013. Como gosta de dizer o pelego e atual presidente Lula: nos governos do PT, os patrões ganharam dinheiro como nunca na história deste país!

Essa era e ainda é a real face do capitalismo “utópico” prometido pelos reformistas. Em vez de governo e “desenvolvimento” para as classes trabalhadoras, governo e “desenvolvimento” para os patrões.

E assim como todos os governos burgueses anteriores, os governos do PT, desde o início, se afundaram nas alianças e nos conchavos com os setores mais podres do país, nos esquemas de corrupção típicos da política burguesa. Sindicatos, partidos e entidades do movimento popular integrantes desses governos de “esquerda” ainda ficaram “surpresos” da revolta de 2013 estourar; dela ter se voltado também contra eles; da luta ter corrido por fora de seus aparelhos cada vez mais distante das massas… Estranho seria se o oposto tivesse acontecido!

Algumas lições de Junho de 2013

Os levantes de Junho de 2013 só podem ser compreendidos no terreno da luta de classes. As manifestações de massa respondiam a situações de piora e de exploração concretas, assim como as classes dominantes e seus governos agiram para manter o patamar de exploração, seus investimentos e lucros.

Nessa luta de classes entre posições absolutamente antagônicas, as forças e organizações políticas devem ser entendidas por seus papéis objetivos e não por seus discursos. No caso da “esquerda” no governo, do PT e seus aliados, seu papel foi do lado das classes dominantes. O estopim de Junho de 2013 veio justamente da ação conjunta do consórcio PT/PSDB em São Paulo, mesmo consórcio que reprimiu violentamente as primeiras manifestações.

Essa “esquerda” sempre busca canalizar os movimentos populares para os meios institucionais e eleitoreiros, enrolar a massa com promessas e migalhas, enfim, desmobilizar a luta e o avanço da organização e da luta independente dos dominados. Quando a luta explode, rompendo os limites da pelegagem, essa “esquerda” não se diferencia em nada dos demais governos de direita: a violência é sua única linguagem.

Exército escoltando ônibus de seleções da copa em 2014.

Eis outra lição fundamental de Junho de 2013: em caso de greves e protestos, independentemente do governo, ou mesmo do regime político, o aparelho repressivo do estado capitalista será usado, com toda sua força, contra as classes dominadas. Esse aparelho, com auxílio de outros, como a mídia, serve, fundamentalmente, para manter a ordem burguesa, proteger os ricos e os governos, deixar os dominados na posição de submissos.

Junho de 2013 demostrou a força da luta de massas, mesmo diante da forte repressão. Essa luta alcançou vitórias concretas pontuais, como se viu acima. Mas inúmeras foram suas contradições e limites, que precisam ser considerados para o desenvolvimento da luta a partir daquela experiência.

Após anos de influência do reformismo no movimento popular e de ausência de uma posição proletária organizada e com influência na massa, o levante que atravessou Junho de 2013 possuía uma grande fragilidade política e organizacional. Sua resistência às entidades e lideranças pelegas não foi substituída por organizações e lideranças que conseguissem de fato coordenar o levante e se constituir enquanto direção política independente das massas. Em vários momentos, a influência de grupos das camadas médias se sobrepôs, a descoordenação facilitou ação de infiltrados e oportunistas, tanto de direita quanto de “esquerda”. Assim como em outros países, as pequenas organizações revolucionárias existentes não estiveram à altura de conduzir a explosão popular de insatisfação e construir saldos políticos e organizativos em direção a uma alternativa revolucionária.

Essas contradições e limites fragilizaram a resistência proletária, sobretudo no período de refluxo, em plena crise econômica e de ofensiva burguesa e de forças reacionárias, que souberam aproveitar essa nova correlação de forças e avançar concretamente na exploração econômica e na dominação ideológica sobre os trabalhadores.

De toda forma, Junho de 2013 deve continuar vivo na memória dos/as trabalhadores/as. Exemplo de que é possível retomar a luta dos/as explorados/as com ações ofensivas de nossa classe na luta de classes, dobrar os inimigos, a partir de nossas forças. Superar as debilidades daquele levante, aprender e aplicar suas lições nos dias de hoje é um desafio fundamental. Ainda temos muitas razões para nos revoltar!

A LUTA CONTINUA!

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- 09/06/2023